Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, outubro 09, 2006

A Mena Mónica e outros!

Recentemente a Mena Mónica (maria filomena monica, mena mónica pros amigos, nas palavras dos próprios...) deu uma entrevista à RTP 1 no ciclo de programas dedicado a discutir o Portugal de hoje. A conversa, foi interessante, primeiro porque o jornalista esteve calado e pouco intervencionista, e segundo pois a Mena Mónica, goste-se ou não é interessante intelectualmente.

À minha opinião lá iremos, contudo em entrevista com ritmo, a MM falou dos diversos Portugais que tinha conhecido,Igreja Católica,política, autarquias, tribunais, vida comunitária e desdobramentos sociais e muito acutilantemente da sociedade portuguesa. Aprecio o estilo directo e sem floreados à Jorge Coelho que em 3 frases consegue colocar 10 vacuidades genéricas que fariam o Gabriel Alves corar... Adiante, MM é lúcida, à sua maneira, com a sua formação e experiência, mas constroí uma apreciação intelectual de Portugal com pés e cabeça. É interessante ver o quanto a revolução marcou a vivência das pessoas que por ela passaram, o antes e o depois são sempre naquele dia de 1974...

Não subscrevendo muitas opiniões da mesma, queria sublinhar duas merecem a minha admiração, primeiro a crítica livre e lúcida, sem quaisquer contemplações ao pior das nossas instituições, segundo a admiração queirosiana. MM como muitas pessoas ganham o sentido crítico e o lastro cultural da geração de Queiroz, a introdução europeia e virar o Portugal atrasado e retrógada para o centro e não para as distantes e solarengas planícies de áfrica... O zelo com que a religião é criticada conhece o mesmo tom em algumas personagens queirosianas. A critica realista de Eça e MM, com qualidades distintas, ganham na comparação entre o indivíduo e o seu papel social, padre, juiz, funcionário público etc... Daí o realismo, o tom grosso com que se pinta o quadro social e os pequenos vícios num país de respeitinhos e de moralidade de fachada, MM é interessante pois dá um tom pessoal à crítica como que o apurando, temperando e acima de tudo como quem pensa e não têm medo de ser criticado por isso, quem não escreve...só poderá escrever sobre os outros? nem mais...

A mena mónica contudo suplanta-se numa coisa, a acuidade das palavras que em conjunto com a ironia e humor próprios dos eruditos, em vez do zé povinho que a mesma demoliu em três frases, é nos oferecida uma crítica mais esclarecida e intelectual. Será por ser mulher? Na certa que sim, as mulheres são mais perspicazes e com mais crítica ao mesmo tempo que jogam com maior sofisticação de costumes e de pensamentos que os homens, perdem certamente noutros campos nomeadamente na capacidade de síntese e de destrinça entre o essencial e o acessório... Enfim cada qual é como é... A crítica da Mena Mónica é divertida e interessante embora não a endosse por completo, termino com o apontamento que a mesma faz sobre a ironia, qualidade dos inteligentes ao inves dos acríticos, intolerantes e impermiáveis a este recurso estilístico...

Os outros assuntos, parece que dia 5 de Outubro foi feriado e a maioria dos iluminados portugueses desconhecia por completo o motivo de funesto dia, desta vez até fomos poupados pelos funestos e putrefactos discursos a la Sampaio que terminavam com vivas à República e aos herois da Rotunda, a nova modalidade é o discurso carapaus com limão do novo PR, seco, fino e sem sabor, seja dos passos do concelho ou de outro local qualquer... Eu cá sei porque foi feriado, 1143, 5 de Outubro tratado de Zamora...

Pena que nenhum dos co bloggers, de preferencia algum jacobino se tenha lembrado de festejar a efeméride republicana!