Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

sexta-feira, outubro 20, 2006

A culpa é do consumidor...

Esta tem graça. Tem graça porquê é tão comum ouvirmos o contrário, que acaba por revelar os pólos em que vivemos. Cada uma com a sua dama.
Todos nós já dissemos ( e provavelmente várias vezes durante o dia/hora) que o Estado é que tem a culpa de tudo, agora percebemos que afinal, quem tem a culpa somos nós. Todos nós. Esse é o sentimento do Governo socialista, senão passemos a vista pelas declarações proferidas ontem pelo Secretário de Estado da Energia (acerca do aumento de 15% da electricidade para o consumidor doméstico).
Notícia in Público (sem link, para não dizerem que há censura neste blog).
Subida de 15,7 por cento no próximo anoSecretário de Estado culpa consumidores pelo aumento do preço da electricidade 18.10.2006 - 09h24 Lusa

O secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação, António Castro Guerra, afirmou hoje que a culpa do aumento de 15,7 por cento no preço da electricidade em 2007 é dos consumidores, porque "este défice tem de ser pago por quem o gerou".
Até este ano, a lei impedia uma actualização dos preços acima da inflação, o que deu origem a um défice tarifário que, na opinião de Castro Guerra, "só pode ser imputado aos consumidores"."São os consumidores que devem este dinheiro. Não é mais ninguém", declarou o governante à rádio TSF. "Este défice tem de ser pago por quem o gerou", disse ainda Castro Guerra.De acordo com as contas do secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação, o défice vai ser recuperado num prazo de três a cinco anos.Apesar de ter admitido que o aumento do preço é elevado, Castro Guerra afirmou que "os custos são os custos".Questionado sobre o facto de o aumento para as empresas ser menor, o responsável referiu que "isso tem um fundamento". "As empresas estão a competir no mercado e nós não podemos por razões de energia reduzir a competitividade das empresas e mesmo assim já é um aumento substancial", explicou.António Castro Guerra lembrou que os aumentos são da exclusiva competência da Entidade Reguladora do Sector Energético, mas admitiu que "no futuro o Governo pode criar mecanismos que evitem aumentos tão elevados".Sobre o mesmo assunto, o ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou ao "Diário de Notícias" que "o Governo está a analisar a situação".
(bolds nossos)
Os meus comentários para esta situação são os seguintes:
1. Correr com o Secretário de Estado porta fora.
2. Ensiná-lo a construir duas frases ligadas por conjunções.
3. Explicar-lhe que também faz parte de "um de nós", esses pérfidos consumidores que andaram a esbanjar energia que nêm uns doidos.
4. Que ele acha que não é consumidor porque somos nós, os pérfidos consumidores, que pagamos as contas deste senhor. Aliás, deviam publicar as contas deste senhor para vermos qual de nós tem participado neste despesismo exacerbado dos "consumidores".
5. Uma vez que somos nós que votamos, também podemos mandá-lo embora, indo para trás da coluna de onde saiu.
Em suma, estamos entregues aos bichos.


(ordem dos factores supra irrelevante...)