Afinal as portagens nas SCUT são boa ideia
Ficámos hoje a saber que o Governo descobriu agora que só em três auto-estradas o custo da brincadeira é de 100 milhões de euros ao ano vindos directamente do Orçamento de Estado, quando comparado com o modelo tradicional de exploração de auto-estradas com portagens.
Mas vejamos o que dizia o programa de governo do actual executivo sobre as SCUTs:
"Quanto às SCUT, deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as
condições que justificaram, em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação,
quer no que se refere aos indicadores de desenvolvimento sócio-económico das regiões em
causa, quer no que diz respeito as alternativas de oferta no sistema rodoviário."
(p. 104 do programa de governo do XVII Governo Constitucional)
Portanto, pergunto eu: as condições de coesão social alteraram-se? E já alternativas?
Claro que não, mas isso agora não interessa nada. O que interessa é que há ano e meio deu muito jeito defender as SCUTs para garantir os votos dos concelhos beneficiados e agora a meio do mandato já não há problema em iniciar o funeral deste sorvedouro crescente de dinheiros públicos. Já ninguém se recorda do programa de governo e dentro de 2 anos e meio, as SCUTs não serão mais que um case study de como não fazer parcerias público-privadas.
Pena que em Dezembro de 2004, durante o governo de Santana Lopes (período do qual não sou grande fã, mas honra lhe seja feita) já se sabia que as SCUTs eram um erro e insustentáveis a longo prazo.
Estou para ver se desta vez o Eng. Cravinho virá defender a sua dama. E de caminho que explique quem beneficiou com este sistema, porque os contribuintes não foram de certeza.
