Baterias explosivas
As baterias de iões de lítio por natureza têm uma tendência de aquecimento quando são carregadas ou utilizadas e basta a presença de uma partícula metálica no seu interior para se iniciar uma reacção em cadeia.
Nos meios entendidos estes riscos têm sido debatidos mas sem qualquer repercussão pública. A nossa sede por dispositivos portáteis cada vez mais pequenos, com mais funções e maior autonomia tem levado ao extremo a capacidade de uma tecnologia, cujos riscos (mal comparando) me fazem lembrar os zeppelins e o seu gás inflamável. A culpa é nossa e dos fabricantes que têm até agora feito passar a imagem que esta tecnologia é segura como as anteriores.
Mas não é. Todos os anos são reportados casos de acidentes menores com estas baterias a bordo de aviões, estando contabilizadas 61 ocorrências desde 1991. Ainda para mais, o incêndio químico de uma bateria de iões de lítio não se apaga com água ou com uma manta como um fogo normal.
Portanto, estamos perante um desastre à espera de acontecer.
Em Julho, um avião de carga da UPS que transportava baterias e um líquido inflamável foi obrigado a uma aterragem de emergência, devido a um incêndio no porão. Este só foi controlado ao fim de quatro horas.
Por fim, também este ano, em Maio num vôo da Lufthansa de Chicago para Munique, um portátil e as respectivas baterias incendiaram-se antes da descolagem sendo atiradas borda fora.
Estes dois exemplos sustentam a posição tomada no início do mês pelas autoridades inglesas em limitar o acesso à cabine (e o transporte em carga) destes dispositivos, não só pelo risco inerente, como à facilidade como podem ser transformadas em armas.
Para quando o primeiro acidente grave?
