História de Encantar...
Há muito tempo, um senhor de barbas era presidente de um país. Um país democrático, livre, e com recursos variados e que permitem, se bem explorados, um futuro brilhante à população.
Esse presidente era um homem rude. Vinha do povo, dos trabalhadores, tinha gostos simples, era um homem sincero. Rodeado dos seus amigos políticos de sempre, com quem travou inúmeras batalhas (normalmente perdedoras), foi de derrota em derrota até à vitória final. Um dia, ganhou o poder.
E o que fez? Resolveu os problemas dos mais carenciados, através de subsídios que mataram a fome de milhões de pessoas, e que curaram as mais singelas doenças que vitimavam outros tantos.
No entanto, os seus amigos de sempre, sem ele saber, iniciaram o processo de enriquecimento do partido e deles próprios, através de uma “africanização económica”, onde para obter determinados serviços ou vantagens, as empresas teriam de despender largas quantias de dinheiro, para obterem os votos necessários.
É claro que o nosso homem honesto não sabia. Ele vivia isolado. Com sua família. No entanto, alguns ministros, lider do Senado e da Câmara dos Representantes, todos eles foram incriminados no Esquema. Inclusivamente o Presidente do Partido, amigo pessoal do Presidente honesto, foi incriminado e incriminou o Presidente.
Logo silenciado, tudo passou. Criaram-se comissões, departamentos de investigação; deu-se a ideia que tudo estava a ser tratado, e os prevaricadores a serem punidos.
O nosso Presidente passou entre os pingos da chuva. Pretende recandidatar-se, e detém vários pontos de vantagem sobre o seu principal oponente.
Os adversários, que tendo fama de participar em várias tramóias, não foram incriminados neste escândalo, nomearam um cavalheiro, com larga experiência política, mas que é tão simpático que não vai, seguramente, dizer aquilo que tinha de ser dito.
“Se não sabia, tinha obrigação de saber. Se sabia, é cúmplice e portanto deve ser incriminado e investigado.”
Entretanto, para o nosso honesto Presidente que só pensa no bem geral da Nação, tudo vai bem. Os intelectuais mantêm-se unidos à sua volta, e os mais desfavorecidos (trinta a quarenta milhões – 20 a 30% dos votantes), uma vez que vivem à conta do Estado, não querem largar o “nosso Presidente”.
Será possível que ninguém consegue ver para além dos pingos da chuva?
