Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, março 13, 2006

Os de lá da terra...

Na página final do Jornal o Público de ontem(12/3) VPV num dos seus mais interessantes artigos traça em breves linhas a herança de 30 anos de poder local. Em síntese estabelece o mesmo uma relação entre a descentralização, o caciquismo e a corrupção, ao mesmo tempo que traça a evolução histórica da descentralização administrativa desde os tempos do "vintismo" e da primeira constituição liberal de 1822.

A tese, da qual somos também defensores, é de que quanto maior a descentralização, maior a corrupção, de entre as causas desta curiosa relação salienta-se precisamente o elemento em falta nesta ligação, os caciques locais. Os caciques nada mais são que grupos de interesse centrados em torno de dois ou três notáveis da terra. Notáveis não pelos feitos profissionais ou cívicos mas somente por serem os "campeões" do partido lá da terra. Dado a organização partidária (c/especial relevo para o PSD e PS) ser decalcada do mapa de concelhos do país, o que acontece não é demasiado difícil de entender, os Adelinos, Isaltinos ou Fatinhas, à moda de Luis XIV, «Le parti c'est moi». Se juntarmos a este fenómeno o facto de que o povão é ignorante em qualquer lado é torna-se fácil ver ao nível a que chegaram estes autênticos "senhores do sistema" lá da terra.

Por oposição, na única urbe deste pequeno país os "Senhores do Sistema" de Lisboa, que têm a seu cargo a governação preferem vacilar e ceder aos interesses locais, dada a fraca força das lideranças partidárias centrais que pouco se opõe ao caciquismo local forjando as Direcções Nacionais alianças com os donos dos partidos lá no interior, afinal de contas julgam eles política local é coisa pra "malta lá da terra" .

É curioso ver que nos momentos em que o País adoptou políticas centralistas, mau grado os urros dos alarves lá da província a corrupção desceu para níveis maís aceitáveis, assim o foi durante a I República, durante a qual Lisboa governou contra a Província e assim o foi durante o Estado Novo.

Os caciques locais proliferam fundamentalmente por dois motivos, a inércia e debilidade das lideranças nacionais partidárias que ascendem a esta posição através de compromissos com os de lá da terra e ainda por a Justiça ser fraca e estar mais vocacionada para a protecção dos seus interesses corporativos, permitindo aos caciques a impunidade que se conhece...

Terminando, e aproveirando o mote dado pelo Estado Novo e a I República, nos por cá preferimos o país sob a rédea férrea de Lisboa que sujeite aos Adelinos, Fatinhas, Valentins ou outros piores lá da terra...

2 badaradas:

Anonymous Anónimo said...

"Não estão connosco os que preferem à obediência a sua liberdade de acção nem os que sobrepõem às directrizes superiormente traçadas as indicações da sua inteligência, ainda que esclarecida, ou os impulsos, ainda que nobres, da sua vontade. Não estão connosco os que não sentem profundamente os princípios essenciais da reconstrução nacional, os que restringem a sua adesão àqueles com que concordam ou lhes convém (...). Não estão connosco os que pensam tirar da sua adesão um título de competência, os que buscam uma vantagem em vez de um posto desinteressado de combate, os que não sentem em si nem vocação para servir a Pátria nem disposição para sacrificar-se pelo bem comum (...). Eu tenho confiança, eu tenho a certeza de que este doce País que nós somos, quer realmente salvar-se!"

Oliveira Salazar, 1932

Infelizmente, eram outros tempos... Nessa altura tínhamos timoneiro desinteressado, inteligente, capaz... Alguém que tinha sempre a porta aberta quando se tratava de cooperação inteligente e construtiva e que não se deixava levar pelos instintos medíocres da populaça!

6:06 p.m.

 
Anonymous Anónimo said...

acho mal que digam isso da Fatinha... ela coitadinha até nem tem dinheiro para pagar a multa por difamação

9:42 a.m.

 

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