Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

terça-feira, abril 22, 2008

Gajos Duros II -Cónego Melo (1927-2008)


Faleceu Monsenhor Eduardo Peixoto Melo, mais conhecido como o Cónego Melo. A insigne figura assumiu um merecido e justo protagonismo aquando o Verão quente de 1975 que ameaçou dividir o Pais. Enquanto o PC e outras inteléquias de extrema-esquerda pilhavam o pais a sul do Mondego, com nacionalizações, ocupações e afins que ainda hoje pesam na bolsa dos portugueses por conta da Gonçalvização da Economia, enquanto Otelo era Rei e senhor de Lisboa, enquanto se passavam mandatos de prisão em branco, enquanto se prendiam pessoas por suspeita de não praticados delitos políticos, num momento em que multidões em nome de fraternidades socialistas e marxistas assaltavam e roubavam propriedades sem critério,e ainda enquanto mesmo depois de eleições o PCP e outros faziam valer o peso das ruas contra o peso das urnas, enquanto nos tentaram tornar um estado totalitário de inspiração marxista, alguns homens falaram e usaram do seu púlpito para defender a justiça social e a democracia.

Um destes homens foi o cónego Melo, entre outros...

O Cónego Melo em '75 bateu-se pela verdadeira democracia, a representativa, a do povo e não da sua vanguarda operária, bateu-se pelas liberadades e pelo pluralismo, e quando a vitória foi conseguida voltou ao serviço de Deus e da Igreja. Ao contrário da extrema esquerda e do PC cuja acção degenerou sempre em violência contra pessoas e propriedade,a Igreja bateu-se por uma sociedade justa, livre, plural e democrática, que não impunha credos marxistas ou partidos e sindicatos únicos. As regras e a sua acção eram as de 1975 e qualquer julgamento histórico a estas se deve ater.

A extrema-esquerda, na hora da morte mais uma vez mostrou que não esquece os adversários de peso, o ódio visceral à Igreja e ainda a homens que consabidamente encabeçaram genuinos e justos movimentos de revolta social contra a tirania e o marxismo opressor dos povos.

Estranhamente só em Portugal se confunde a acção democrática do PCP com o pluralismo democrático quando é consabido que a acção do PCP entre 1974 e 1976 foi tudo menos democrática e pluralista. Fosse por conta de Cunhal e teriamos tido uma sociedade de partido único, com polícia política e unicidade sindical. Faz mal a direita em não lembrar sempre e todos os anos estes "pormenores" históricos.

Fica no entanto a justa e devida homenagem a um homem de Deus que muito bem fez por este pais.

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