Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, maio 05, 2008

Primavera de 1968

Enquanto boa parte das inteléquias do panorama intelectual, dominado pela esquerda e extrema esquerda escreve sobre a "revolta" ocorrida em Paris durante o maio de 1968, algures detrás da cortina de Ferro, desde a primavera desse longinquo 1968 ocorriam coisas bem mais sérias e mais importantes.

A esquerda europeia foca o Maio de '68 e o conflito do Vietname, os partidos comunistas e outros agradecem e retribuiem condenando à galeria dos eventos ignotos os eventos ocorridos em Praga em 1968. Depois de Nagy na Hungria em 1956, Dubcek em Praga tentou dar uma sapatada da Esfera Soviética de influência e procurar a Ocidente desenvolvimento e abertura. Para tal o lider checo, e comunista, lançou o partido em debate e propôs-se a realizar reformas sociais e políticas sérias tal como uma sociedade plural e ainda uma verdadeira democracia parlamentar, ao invés de sucedâneos de coisa nenhuma como centralismos democráticos, debates alargados e afins.

A boa URSS do camarada Brejnev não estava para dissidências ou reflexões críticas e em nome da boa solidariedade socialista logo encontrou tanques e homens que invadissem a Checoslováquia, tudo para se voltar ao bom velho comunismo soviético. A invasão da Checoslováquia nem foi pacífica, nem tolerada, nem solicitada nem muito menos sem sangue.

No entanto ao mesmo tempo uns meninos universitários encontravam-se a apedrejar polícias, vandalizar carros e a brincar aos pacifistas e ao amor livre. Muito amor frequentemente dá em egoismo ou pior em vistas selectivas, e ao mesmo tempo que andavam os franceses universitários a exibir a bandeira do vietname do norte, muito poucos olhavam para o que se passava aqui ao lado na Europa. As vistas selectivas e a dualidade de princípios, se conhecem dois pesos e duas medidas de forma tão clara é nestes episódios.

O primeiro o de um povo que se queria livrar das grilhetas do comunismo soviético e que por azar geográfico e histórico não o conseguia, o segundo de uns delinquentes ou proto delinquentes que se fartaram do Gen. de Gaulle. Não há duvida para o estardalhaço inconsequente é com os franceses.

Mais uma vez a esquerda conhece dois pesos, duas medidas e dois critérios. A frança era uma consolidada democracia plural e multipartidária, a Checoslováquia tentou e foi submetida pelo aço e pelas baionetas. Um episódio gerou verdeiros lutadores pela democracia e por uma sociedade aberta. Outro gerou pop-arts e icones fotográficos...

Cada um se engana como quer...

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