Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quinta-feira, novembro 22, 2007

Mais uns bitates sobre Chavez!

(i) Chavez e Socrates

Que a política se faça de momentos que nem todos se orgulham acreditamos, que os interesses de Estado muitas vezes justifiquem a reunião com governantes de paises cujo caminho e opções só podemos repudiar também e ainda que os negócios o obrigem ibidem, desde que sejam respeitados limites do estritamente necessário. Não devemos ser ignóbeis ou mesmo ingénuos quanto às relações internacionais neste ponto.

Alias e fazendo um paralelismo com a vida quotidiana muitas vezes por motivos profissionais somos obrigados a privar com indivíduos que além de motivarem a nossa repulsa e desinteresse, jamais dirigiriamos a palavra numa ocasião social ou convidariamos para casa.

Sócrates recebeu Chavez e fecharam-se uns negócios. Há uma comunidade portuguesa na Venuzuela que justifica especiais atenções por parte da nossa diplomacia, nomeadamente se considerados eventos recentes como rapto de cidadãos portugueses ou o impacto da política económica chavista nesta comunidade.

Não desejando desenvolver muito a questão dos contratos da Galp e outros, assim como do papel de Mário Soares e da sua fundação, subsidiada com dinheiros públicos, neste assunto queremos somente lembrar que uma coisa é fazer negócios com Chavez, outra pior é caucionar a sua actuação política interna e externa.

Foi este o tópico de reflexão oferecido por Pacheco Pereira (JPP) ontem na quadratura do círculo e com o qual concordamos. A actuação de Sócrates, motivada por razões de Estado compreende-se, já palmadinhas nas costas e juras de amor não.
Infelizmente em Portugal e por motivos de diversa índole, nomeadamente o «nacional porreismo», são ambos os campos difíceis de separar, alias o português padece do mal de meter tudo no mesmo saco e de dificilmente conseguir separar dois planos distintos ou seja o profissional ou os negócios do pessoal ou afectivo.

É assim que somos, recebe-se um malandro em casa e trata-se como se fosse o melhor amigo, com expressões como «sinta-se em casa» ou simplesmente «que somos povos parecidos». Talvez isso explique o Estado de coisas presente e o facto de sermos atavicamente periféricos e paroquianos.

Aproveitando o método de Marcelo Rebelo de Sousa, nota 10. Fez-se o negócio muito bem mas a partir daí esta-se a caucionar um ditador em potência.

(ii) Chavez é ditador?

Os benévolos acólitos da esquerda dizem que não, que o indivíduo foi democraticamente eleito e que governa através de referendos às suas medidas. Algumas luminárias bem pensantes que somente a esquerda consegue produzir e para simpatia de muitos vão mais longe e louvam de sobremaneira a democracia directa do líder da Zarzuélia...

Factos, Chaves promoveu eleições que ocorreram em clima semi livre e nas quais a Oposição recusou em participar. O congresso da Venuzuela é composto somente por membros lá da tribo o sítio somente. Será isto democracia? Depende das condições em que se realizaram as eleições entre outras. Salientamos antes do mais que Chavez já encerrou um canal privado televisivo e faz "letra morta" de contratos privados ou públicos de concessão, alias como se vê na esteira da polémica do "porque no te callas".

Mais ainda a Democracia Chavista vale tanto como a da "noite fascista em Portugal", pois nas eleições do pós-68 e mesmo antes as oposições perderam muitas vezes por falta de comparência, alegando a falta de condições para a realização das eleições. Mais ainda a Constituição de '33 foi inicialmente referendada também portanto e obviamente não esquecendo as diferenças entre ambas as situações poder-se-ia pelo mesmo critério de maioria de razão dizer que ambos os regimes foram democráticos.

Oh Louçã e outras luminárias, respondam a esta!

Se um foi ditador como a jorros o consideram o outro pelo mesmo critério também o será! Tenho dito. Já agr entre as conversas em família do Dr. Caetano e as prédicas de longas horas do Sr. Chavez acho que a maioria preferia o Dr. Caetano, não obstante os minutos do "Zip-Zip" ou outra qualquer programação que dava à epoca e cujo conhecimento me escapa.

Imagine-se hoje predicas de horas em prime time sobre as novelas da TVI ou da SIC. Desconfio que até o Sr. Louçã se importaria...

(iii) O regresso do Dr. Soares

Depois de há quase 2 anos ter sido pulverizado eleitoralmente o Dr. Soares regressa, desta vez aportando na mão uma resma de contratos da Galp e um raminho de oliveira tentando reconciliar o Rei de Espanha com Chavez. Já nos idos de 90 tentou o Dr. Soares em Belém uma solução para o conflito israelo-palestiniano e para a Guerra do Golfo que certamente teria suscitado "comic reliefs" nas chancelarias do mundo caso tivesse sido levada minimamente a sério, o que para bem da credibilização do pais não veio a suceder.

A proposta de bons ofícios e paninhos quentes felizmente só aqui na paróquia teve ecos, ou seja mais um episódio para consumo interno. Todo o episódio é grotesco a começar pela buçal conduta de Chavez e que teve resposta à altura. Para gaúdio dos amantes do socialismo Chavez retaliou tal qual um qualquer régulo ou soba africano, ou seja contra os que nada têm que ver com a historieta. Neste caso a fava calhou às empresas espanholas que fazem negócios na Venuzuela. O nexo de causalidade, simples ou seja eram espanhois e está tudo no mesmo saco. Argumentação própria de um delirante ditador, já agora eram judeus, negros ou whatever...

Nem Idi Amin se lembraria de melhor desconfiamos.

Ora voltemos à pomba de Novembro, o Dr. Soares por um lado junto do monarca de Castela e o Sr. Sócrates do outro junto do Coronel das Bananas. A ideia além de risível é ilustrativa da atávica dimensão do nosso pais e pequenez mental. É o costumeiro luso-feitio distribuindo boa vontade gratuitamente num mundo bem mais sério e complexo.

Tristes figurinhas, todas menos o Monarca de Castela... e nos a darmos crédito a Chavez e afins.

(iv) O avião de Fidel

Chavez deslocou-se no seu périplo de boa vontade no avião de fidel, que ostenta as cores flamejantes da linha aéria "Cubana". Falamos pois de um belo iliushin 96, igual ao de putin. Provavelmente dos aviões menos eficientes em termos de consumo do mundo, especialmente em comparação com os Airbus e Boeing's da praxe. Tal não relevaria se Chavez não viesse pregar sobre energias renováveis e ecologias... Para rir....

Já agora lata, pra sucata!

(v) Os agit props do costume

Parece que meia dúzia de aves raras ainda foi elogiar Chavez com pancartas ilustrando "Soberania sim, ingerência não". A proveniencia daquelas criaturas é uma de duas, ou os mesmos figurantes da agência de casting do Choque tecnológico ou pior as velhas e genuinas aves vermelhas do PCP.

Ambos os casos são tristes, contudo se foram os bolcheviques é risível não somente pelo historial vermelho de ingerências mas também por Chavez ser o maior destabilizador da Colômbia (também soberana) tendo uma política para com as FARC de muitísssimo condenável. Aos bonequinhos de serviço portanto uma palavra: Palhaços!

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