Momentos Kodak!
(i) «Não Estava cá»
Ontem uma das obras emblemáticas do período Guterrista e afins cuja inauguração sucessivamente adiada desde o século passado por problemas, vicissitudes, erros no projecto, más elaborações, inesperadas dificuldades, etc... foi palco de algo que nos faz somente pensar que vivemos num universo paralelo de Estado, Direito, bom senso e etc...
Falamos da extensão até Santa Apolónia, passando pelo Terreiro do Passo, ironicamente o local que meteu mais água... Avante contudo, em promenade solarenga de outono, o ministro Mário Lino, acólitos e charanga de jornalistas passearam-se pela estação de metropolitano. Ora em festiva perigrinação o Sr. Ministro dignou-se a responder a questões dos jornalistas, coisa crescentemente mais rara nos dias de hoje a fiar em recentes intervenções do Sr. Pinto de Sousa, vulgo Mister Pescanova.
Questionado acerca dos custos da obra o ministro falou em custos de 1997 que o orçado havia sido 165 milhões de euros e a obra ter-se-ia cifrado em 296(julgo) milhões de euros. Uma pequena derrapagem de quase o dobro, nada de especial considerando o historial socialista de obras públicas, desde a expo, estádios, às Scut's etc... A especial apetência de derrapagem não deixa de ser partilhada com o copo "meio cheio" que o distingue do PSD. No entanto e à medida que os jornalistas avançavam nas perguntas sobre a incómoda derrapagem o Sr. Ministro em momento de estado, responde somente com uma nota clara e ilustrativa do estado da nação em termos morais e éticos um xiste que dizia somente: «eu não estava cá!».
Perfeito, o alibi à prova de bala. A segurança social faliu, o estado gasta somas monstruosas em erros colossais e os Srs. Ministros de sucessivas pastas, assim como os respectivos primeiros ministros têm sempre a mezinha salvadora ~para qualquer responsabilização do estado, «não estava cá», faltou somente dizer, e se cá estivesse também me marimbava. Ao invés seria de estado adimitir o evidente, houve uma derrapagem substancial em virtude de erros que esperamos de futuro não repetir ou persistir.
Ao contrário o brado de Lino foi simples «Salve-se quem puder». Pena somente que o pais seja servido por gente assim!
Entregues aos Linos estamos nós!!
(ii) O Sr. Botas, o Sr. Lambe Top e o Contumaz Sr. Do Bolo Rei!
Há tempos em Portugal houve um senhor, que morreu muito velhinho, pobrezinho e que governou um pais durante muitos anos. O pais floresceu, bem ou mal, melhor ou pior, contudo no computo geral a coisa teve os seus méritos. Era mau contudo o Senhor velhinho, não apenas por ser intransigente na sua visão de estado mas por ser espartano e viver somente para a sua paróquia, se bem que esta não lhe guarda grandes recordações excepto aquando as coisas começam a piorar.
Enfim, criticavam ao velho "botas" muita coisa! Especialmente que não haviam sindicatos livres e que a liberdade de expressão e protesto eram quimeras e reivindicações que o senhor das botas não gostava. Uns dias, outros indivíduos, que também usavam botas mas por dever de ofício, mudaram o regime do senhor das botass que entretanto havia morrido.
33 anos depois as memórias do "botas" e outras são mais diluidas, não obstante mitómonas construções de uns indivíduos que usavam foices e marcetelos. Obvio que hoje tudo isto são histórias de embalar criancinhas politicamente mais activas, mas eis que um Senhor que trocou as botas por um "lambe top" (lap top em inglês técnico), que não gosta de insultos e protestos lá empregou as polícias para fazer o seu servicinho à Nação.
Leia-se pois retirar tarjas e adereços a velhas aves vermelhas, que tiveram o desplante de protestar contra o distribuidor de Lambe tops, mas também e pior a fiar nas ditas aves, estas receberam um aviso para não serem incómodos. Liberdadezinhas e tudo mais pois bem, mas incómodos é que não. É que qualquer dia um Engenheiro não pode andar na rua e têm de viver somente com o seu lambe top e o seu e-world.
As aves vermelhas insatisfeitas lá gritaram e protestaram contra o Senhor Lambe Top, pálida imagem do velho botas, e contra alguma proposta alteração de calendário pois "25 de Abril" sempre era o seu lema...
Ahh Velho Botas bem dizias que o povo português não era feito para viver em democracia e com as liberdades britânicas... O Sr. Lambe top também acredita...
Pena somente que o Sr. do Bolo Rei ande a ver navios oceanográficos e a furnas...
Como dizem os brasileiros: Caraca!
Já agora, o autor destas maçadoras linhas opõe-se frontalmente a qualquer coacção sobre manifestantes que exerçam o seu direito natural de protesto.
PS- a jogadas de Governo Civil e afins também, que de decreto fajuto tentam regulamentar um direito natural
PS- Lambe Top= Lap Top!
Etiquetas: Governo, Mário Lino; Sindicatos
