Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, outubro 01, 2007

Os iluminados e as iluminárias

Este post não tem por motivo nem como intuito justificar o injustificável, defender aqueles que não têm ou não merecem defesa, muito menos encontrar o motivo "de prata" para factos políticos recentes que mexeram com o meu partido, o PSD.
Por isso, não vou rejubilar com a eleição de Luis Filipe Menezes com líder do PSD, muito menos com a derrota "tardia" de Marques Mendes. Penso que a situação do PSD era insustentável da mesma maneira que a situação de Fernando Santos (ou de Ferro Rodrigues) era insustentável nas respectivas instituições. Qualquer instituição que se queira dar ao respeito e que queira vencer, no sector onde se insere, tem de saber gerir expectativas. No dia em que aqueles que lhe dão força percebem que a instituição não tem rumo e não vai ter sucesso, é óbvio, claro e perceptível, que alguém tem de cair... normalmente é o líder.
Assim explicada a queda de Marques Mendes (sozinho e sem apoios à muito tempo ao contrário do que agora se diz), falta perceber aquilo que Menezes poderá trazer de novo.
A meu ver, falar de "correntes populistas" a Menezes é tentar colar-lhe uma imagem que não joga com ele. Menezes não oferece brindes na Câmara de Gaia. Nem frigoríficos. Nem tostadeiras. Menezes trabalha e mostra obra. Desenvolveu a cidade de Gaia, fez frente ao Porto e criou, ao contrário de que por exemplo Almada faz, uma cidade virada para o rio. Ou seja, mostrou um projecto de cidade e tentou concretizá-lo.
Poderão discordar da vertente demasiado social. Poderão até vasculhar os inúmeros licenciamentos ou negócios da Camara de Gaia. Mas o que é inegável é que a obra ficará depois de Menezes sair (como tudo indica) da camara de Gaia, deixando-a ao seu "camarada" Marco António (o que eu gostava de ter este nome!!!!).
As "tias" do costume já iniciaram o trabalho de desconstrução da realidade, defendendo o "fim do PSD", a volta dos "trogloditas", o PSD "de esquerda" e todo o restante bando de estupidezes que apenas aqueles que, fechados entre livros e "marmeleiras", observam a realidade sem querer meter as mãos na massa.
Quanto a Menezes, vejo-o como alguém que não estando viciado por Lisboa, poderá trazer alguma frescura na forma de lidar com José Sócrates, o que, quer se queira ou não, será sempre benéfico para a vida política portuguesa.
Ideias e Programa, tem 2 anos para as fazer. Cumpre limpar o partido das tricas que comandaram a campanha eleitoral, tornar todos os registos informáticos e virar a página nestas trocas a baldrocas de politiquice.
Depois, cumpre estabelecer linhas de rumo, concretas e perceptíveis quanto a 5 ideias fundamentais: Papel do Estado, Função Pública, Impostos, Segurança Social e Justiça.
Penso que, em muitas destas coisas, não estarei de acordo com o novo presidente do PSD (como não estaria se fosse Marques Mendes o líder), mas penso que mais facilmente este apresentará um rumo certo e de oposição ao governo, do que o ora ex-líder.
Esperemos para ver...

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