Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quarta-feira, agosto 08, 2007

Kulturkampf Socrates I

O título não é de maneira nenhuma original, e é motivado em crónica de opinião publicada no jornal ABC sobre os méritos e os deméritos da política cultural de Zapatero e a forma como esta é utilizada para refletir a política ou um certo entendimento social que o Estado visa prosseguir.
Comecemos contudo pela origem germânica do étimo, "Kulturkampf" aparece no léxico pela primeira vez aquando a formação da Alemanha em 1871, destinando-se especificamente a traduzir uma cultura endossada pelo Estado, na época, além de Germanização ou Prussianização dos remanescentes estados que formavam a Alemanha, visava refletir também uma organização social que se refletia nos mais variados campos, passando pela estratificação social.

A ideia de "Kulturkampf" reflete-se pois numa cultura promovida pelo Estado, divulgando o ideário que lhe serve de fundamento é lhe encontra subjacente. Na crónica de hoje de Ignatio Ruiz Quintano no ABC, a recente remodelação no Governo de ZP, incidente sobre a área da cultura visa prosseguir exactamente o mesmo, estando o Estado em luta cultural e não só com outras forças sociais como a Igreja, o seu ideário e aspectos que são tidos por fundamentais ao Cristianismo como a liberdade, a tolerância ou o amor ao próximo, subvertendo-os dentro de uma lógica socialista, laica e tão multicultural que acaba por deturpar e corroer as bases axiológicas comuns do indivíduo. Aproveitando o mote tentaremos também sintetizar a "luta cultural", se alguma do presente Governo contra algumas forças sociais nacionais.

E o que nos vende o Engenheiro?

Havendo vontade, falta espaço para fazer um longo post acerca da cultura em Portugal, dos episódios de Dalila Fernandes, das pequeníssimas mentes que andam à coca no Orçamento de Estado, raspando umas alcavalas do ministério da cultura, dos egos que são do tamanho do mundo de pequenos tiranos nacionais que fazem vida à custa do mínguo orçamento e cujas iniciativas culturais consistem em apregoar ou continuar o já há muito cristalizado pensamento de uma geração de 70 com todos os seus dogmas esquerdizantes. O mal não é deste governo nem deste Estado, desde os tempos imemoriais que as cultura portuguesa é subsidiada ou simplesmente sem interesse como se pode verificar com o "folclórico" e idílico Parque Mayer que todo o mundo conhece mas poucos viram.

É assim portanto desde os tempos de monarcas que as actividades culturais sempre foram as subsidiadas pelo Monarca e pelo Estado. Raras são as excepções e cada vez menos os casos de independência cultural, seja ela no teatro, nas letras ou mesmo na televisão. Lamentamos ao leitor que nos tenhamos perdido somente pela Kultur, tendo a Kampf ficado de fora. A esta voltaremos, sem contudo salientar que num pais culturalmente retrógada e numa cultura estatizante os que andam a rapar o orçamento estejam manietados completamente pelos arbítrios eleitorais de ministros e governos. A sobrevivência no presente modelo cultural a isso obriga, senão vejamos, ao invés de se promover um dinamismo plural promove-se uma cultura de funcionalismo público, desde os museus ás companhias de teatro, passando pelos grupos de teatro amador etc... Todos estes propalando um modelo de cultura quasi-soviético... Enfim bom leitor, mais uma vez me perdi...

Aqui chegados pois é altura de questionar, qual a Kulturkampf de Sócrates? Simples, no plano social uma cultura de submissão aos ditames governamentais, de pulso de ferro contra os dissidentes da férrea disciplina partidária. A originalidade criativa ou simplesmente a competente gestão de Dalila Fernandes são de penada substituidas por um mandarete socialista de serviço. O caso em apreço tem ainda a agravante de querer condicionar a participação de um mecenas que contribui e dá a sua marca também a certo museu, precisamente por apostar em projecto pessoal ou de gestão. Óbvio que os egos de certos boys socialistas não puderam sustar tamanha afronta e logo através de procedimentos sempre obscuros e sempre conhecidos por todos se trataram de afastar a Directora de museu.

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