O caso Maddie
Os caros leitores se calhar estão a pensar que este blog já não é o que era, já não discute política nem o futuro, mas de facto o marasmo é de tal ordem que não há saco para falar dos 50 computadores dados pelo Governo ou das viagens dos PSD's pelo país a fora.
Então sobra a Maddie e o circo mediático (o que eu gosto desta expressão!) que ele revela, e que infelizmente mostra a falência da justiça portuguesa e da investigação criminal e, especialmente, dos media. AH... e uma rapariga desaparecida.
Quanto à investigação criminal e consequentemente quanto justiça portuguesa, pouco há a dizer excepto que ainda vive nos tempos da inquisição. Andou cerca de 4 meses à procura de uma criança que agora julga ter sido morta pelos pais. Revelou a falta de meios e de experiência neste (como noutros) casos. Não transmite segurança e verdade, mas antes desconfiança e secretismo.
Não faz parte da sociedade o que leva que esta também não a veja como interlocutora.
Todos estes erros, prejudicam a imagem da polícia e fragilizam a posição do Estado enquanto garante e protector da paz social.
Para quando um processo aberto? Com conferências de imprensa? Com divulgação de dados e de estados processuais? Com observância das regras internacionais de investigação e do respeito pelos direitos das pessoas?
Se os Mccann são os principais suspeitos é preciso dizer isso ipsis verbis. E dizer com que base é que são suspeitos. Isto não fará com que eles sejam julgados em praça pública, mas antes respeita o princípio da igualdade de armas que se deveria pretender instituir, em todos os momentos, em processo penal.
A Polícia tem uma versão dos factos e divulga-a oficialmente. Os Mccann não o entendem assim e são livres de o demonstrar publicamente, se assim o entenderem.
Não será este um melhor caminho?
Note-se que nem sequer estou a falar do mérito ou demérito da investigação, uma vez que essa "deveria" estar em segredo. Deste modo tudo o que se sabe veio da porta do cavalo,e eu nem sequer gosto desse cheiro.
Se são culpados ou inocentes ainda teremos que esperar por uma eventual acusação e condenação. Mas que a polícia não sabe gerir a informação que dispõe, isso é um facto.
Finalmente os Media.
Se é verdade que o circo mediático foi montado desde há muito, parece claro que a classe jornalística encarnou o papel de palhaço, uma vez que estão a ser tristemente manipulados por ambas as partes ao sabor da investigação.
Informação não deveria existir uma vez que existe segredo. Mas existindo, ao menos que fosse boa.
O que temos é gente a falar sobre coisas que não sabe, jornalistas a fazer perguntas descabidas e o povo a ver tudo como uns tótós (onde eu me incluo).
Assim como assim, comigo já não contam.
Que o circo continue!
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