Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

sexta-feira, setembro 14, 2007

O pais das Maravilhas

i) Viva o Cabo

Os casos mais badalados do momento ultrapassaram todas as fronteiras do pudor, decência, moral e bons costumes. Em ambos os casos vemos a mãozinha do show-news, ou seja de que a realidade noticiosa deve ser uma constante excitação, uma catadupa de novidades e sentimentos que empolgam o espectador. Por oposição na última semana tenho visto o noticiário da TVE internacional que além de ser muito mais sóbrio e tranquilo não contem todo o género de menções rolantes em rodapé a toda a hora, com informações inúteis e trocadilhos verbais. Só para começar. Conhecendo o nível de ileteracia dos nativos questiono-me se a população consegue acompanhar tanta informação ao mesmo tempo, desde o jornalista e as imagens ao texto rolante, ao tempo, às horas e a outras coisas...

Continuando, sobriedade e seriedade são duas caracteristicas que não distrinçamos na cobertura noticiosa, desde logo porque os nativos são avessos a isso, contudo o que espanta mais é o tom das notícias, as intervenções dos jornalistas que sem pejo ou dignidade deontológica manipulam ou repetem ad nauseam factos mastigados e sentimentos como "os habitantes de Rothley" ou a população do Reino Unido, entre outros factos de suprema importância como a opinião dos indígenas da pérfida Albion sobre a polícia portuguesa, os métodos de investigação e toda uma pleiade de factos irrelevantes.

Já o caso Scolari é um remake de muitos outros, ou seja como um pequeno facto pode tornar-se um ponto de partida para uma discussão sobre tudo, culminando numa discussão sobre tudo e mais alguma coisa e sem qualquer ponto ou interesse palpável. Prova, a SIC colocou a meio do telejornal um painel de comentadores desportivos para comentar a soberba importância do acto.

É consabido que os media portugueses vivem virados para dentro, para a polémica de paróquia, da lana caprina e para a aldeia, são media mais vocacionados para alimentar problemáticas estéreis repetindo as mesmas coisas até à exaustão ao invés de alimentarem um culto de seriedade noticiosa. Ademais a ignorância dos portadores de notícias, aliada a estratégias de comunicação cuidadosamente orquestradas colocam o pais à beira do estrangulamento intelectual e numa autofagia sentimental que em ultima instância, além de não servir qualquer propósito digno e honroso, deprime e pior manipula grotescamente realidades ou eventos que deveriam ser tratados com sobriedade e síntese.

Sou oposto a qualquer entidade de regulação de conteúdos noticiosos ou outros, alias é aos tribunais que compete a defesa e delimitação dos direitos que se encontram fundamentalmente assegurados, obviamente que numa sociedade de informação instantânea e imediata a morosidade da justiça não é um ponto a seu favor contudo a imposição pela via administrativa de conteúdos através da Entidade da Propaganda (ERC) é soez, atroz e acima de tudo totalitária pois toda gente conhece em Portugal que quanto mais puro e límpidos são os princípios da carta constituitiva mais suja, politizada e "compadria" é a prática.
Assim e posto este introito, acho que os jornalistas devem meter a mão na consciência quando falam de auto-regulação uma vez que o tratamento de Casos como o de Maddie ou de Scolari levam-nos às palavras de Afonso Costa, de que é preciso «proteger o povo do povo». Enfim Deus sabe no que isso deu...

Em suma e como vivemos no pais das maravilhas: Viva a TV CAbo que vai passar a 106 canais...

ii) Manifesto de Sócrates

Sócrates e sua corte reescrevem a modernidade a jeito de Marinetti. As máquinas e laboração mecânica são substituidas pela internet. A velha retórica substituida por galicismos ingleses como o e-governament entre outros, enfim e todo um pais que progride sob a batuta do engenheiro que faz peelings sucessivos à Lusa patria.

Fica a insidiosa questão, terá sido do Inglês técnico da Universidade?

Desde os tempos de Eça que estratégias como as de Sócrates eram sobejamente conhecidas, antes fora o caminho de ferro hoje a internet. A modernidade portuguesa não é a de transformar os analfabetos em menos analfabetos, ou dar valências profissionais às pessoas de maneira a que possam singrar na vida e serem elementos contribuitivos da sociedade. Ao invés apostamos numa cosmética de formações profissionais que além de colherem milhões de euros anualmente pouco adiantam, investir obras megalómanas e desproporcionais às necessidades do pais ao mesmo tempo que as infraestruturas elementares continuam a demonstrar carências várias e ainda de apoiar a natalidade com 20€ por mês de subsidio e de permitir abortos à pala para todas as meninas e meninos que não sabem o que são métodos contraceptivos. Se for diabético, insuficiente renal ou simplesmente um doente paga as 2000 taxetas que se inventam no Serviço nacional de saude, se for pro aborto é "grates".

A modernidade nacional padece de um mal estrutural à partida, o de que se querem construir casas pelo telhado, ou simplesmente o de lançar projectos faraónicos num pais que é mais pobre e atrasado que os restantes da Europa. Prova cabal o nosso nivel de rendimentos per capita e outros indicadores como os da educação. Curiosamente não vemos os primeiros ministros dos paises de leste preocupados com TGV's e OTA's mas antes com o dinamismo económico e em minimizar o estado, cobrar menos impostos e oferecer boa educação, valorizando o mérito e não praticando uma apologia contra a riqueza. Em Portugal ao invés há uma busca incessante pela mediocridade, por baixar as expectativas e por estar à espera do amanhã.

É curioso notar que nos últimos 20 anos a carga fiscal têm aumentado paulatinamente, assim como as receitas do Estado, ao mesmo tempo as desigualdades são já as maiores da Europa dos 15, o "fosso" entre ricos e pobres aumenta, e no entanto continuamos a nossa marcha para o socialismo, continuando a pagar cada vez mais e mais vezes a mesma coisa, Saude, educação etc... Posto isto qual o caminho adoptado, o da modernidade ou seja computadores a rodos, internet pra todos, mesmo que nada mude a cosmética sempre conta para alguma coisa. Creches pra todos em 2010, inglês para as escolas, subsidios maiores para os desfavorecidos, novas oportunidades, ota e tgv. Alguma destas medidas é estrutural e conseguirá colocar o pais no bom caminho?

Achamos que não, alem de que a única modernidade que se alcançará será a pobreza moderna, por oposição à pobreza novecentista, por oposição à pobreza oitocentista. E dai em diante até aos tempos do Viriato. Quando entenderam os sobas que não é com modernidades à pressão que se vai lá mas antes com crescimento sustentado e ponderado alicerçado em estratégias realistas?

Já agora e o PRACE, alguem o viu? Pois é golpada, venha mais uma caixa de PC's para moimenta da beira!?

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