Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

terça-feira, agosto 21, 2007

Picar o ponto

Todos nós sabemos como não funciona o funcionalismo público nacional.

Todos nós tivemos ou teremos, múltiplos exemplos de falta da competência, falta de profissionalismo, sonolência e desinteresse que os funcionários públicos exibem aquando das suas funções.

Eu, que ao andar por este país e ao falar ao telefona com dezenas de organismos, instituições e profissionais já pensava ter visto tudo, hoje tive uma epifania.

Ao dirigir-me à Direcção Geral de Viação, e enquanto esperava por uma senhora (aliás atenciosa e preocupada) que me ajudou no problema que tinha, verifiquei que os serviços têm o famoso ponto.

De funcionamento peculiar, parece que cada funcionário, quando entra e sai do serviço deve registar estes factos no referido aparelho.

No entanto, e após quinze minutes de esperar a senhora (atenciosa e simpática), verifiquei que todos os que entraram a trabalhar (lá por volta das 10h) entravam para picar o ponto, e saiam em direcção ao café mais próximo, em magotes organizados de tertúlias prontas para falar sobre a telenovela de ontem, sobre o marido que nada faz ou sobre as férias passadas nas Caraíbas (se estavam 2.000 nos ultimos dias, pergunto quantos terão estado nos meses anteriores).

Picam o pronto, e vão para o café.

Nós portugueses somos um povo sui generis. Quando começamos a trabalhar, temos de ir logo beber um café e comer um bolo de arroz, senão dá-se logo uma quebra de tensão...

P.S. Faltou referir que qualquer semelhança entre a senhora (atenciosa e simpática) e um pinguim é pura coincidência. Ah... e parece que essa não tinha visto a novela do dia anterior.

Etiquetas: