Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

sexta-feira, julho 20, 2007

Estado da Nação

Anualmente parece que existe a necessidade de debater o Estado da Nação.

Aquilo que à primeira vista seria um exercício salutar de recapitular o que se fez e demonstrar novas metas para o ano legislativo que irá iniciar-se em Setembro (sim, pq a AR continua a ter 2 meses de férias para pôr os pensamentos em dia), tornou-se um momento triste e interno vivido pelos 230 deputados e alguns (poucos) membros do governo que ainda vão a estes debates.

Triste é o Estado de uma Nação cujo os seus governantes não apontam uma meta para o futuro. Nem na educação, nem no emprego, muito menos na economia. Agarrados a estátisticas que, como a sua natureza intrinseca indica, podem ser interpretadas de forma positiva ou negativa, o Primeiro Ministro Pinto de Sousa enuncia pela terceira vez a obra que este "governo reformista" nos deixa... um país moderno. Moderno porque aberto ao investimento; Moderno porque apostando na formação; Moderno porque defensor do plano tecnológico. Moderno porque defensor dos standards mais apertados na União Europeia. E, por fim, Moderno porque defensor do aborto livre, por decisão da mulher.

Quando o PM de um país acha que o país antes dele não era moderno pq não tinha investimento de qualidade, porque não apostava na formação, porque não defendia o apresentado pela UE, cumpre chamar a atenção do PM que este país tem 860 anos de história e, graças a Deus, não começou com ele (senão estavamos bem arranjados...).

E quanto ao aborto ser marca de modernidade... é uma ideia tão moralmente superior que apenas dá vontade que todos os médicos apresentem objecção de consciência, para que o nosso PM tivesse de ir para as urgências fazer esse servicinho.

Não houve uma palavra sobre a OTA. Não houve uma palavra sobre o modelo económico (SCUT) do TGV. Não houve uma palavra sobre a pseudo-licenciatura e os processos judiciais em curso contra aqueles que deram a cara por essa notícia. Não houve uma palavra sobre o controlo da Media Capital para um projecto ideológico. Não houve uma palavra sobre os delitos de opinião ou sobre o super polícia. Não houve, em suma, qualquer palavra sobre a liberdade de opinião e como ela está a ser cada vez mais limitada.

O Governo que tem uma agenda de controlo da opinião do povo e dos intelectuais, dos pobres e dos empresários, é um governo com tendências autoritárias. Um Governo que controla a CGD e o modo como esta concede os seus créditos a pequenas e médias empresas. Um Governo que detém posições em quase todas as empresas privadas de relevância para a sociedade portuguesa e que tem esta tendência é perigoso.

É aliás de notar que, isto acontece quando o Governo PS sente que não existe controlo, fiscalização, qualidade e força por parte da oposição para mobilizar a sociedade civil e os media contra esta política, apresentado alternativas.

Se todas as intervenções dos partidos de Centro Direita (uma vez que os outros tem que dar conta dos sindicatos e dos trabalhadores... o que quer que isso seja) não forem sobre este tema, estamos a brincar com coisas muito sérias.

Chega de lutas internas! É preciso acabar com este ataque à liberdade.

Quem está e esteve nos últimos anos, tem de dar lugar ao futuro. Ganhar por ganhar não chega para mudar as mentalidades de um país de políticos velhos e amarrados por ideais sem nexo. É preciso mudar de cara e de rumo. Defender uma nova República. Uma nova constituição. Um novo balanço entre os poderes. Uma cultura de responsabilidade.

P.S. Queria apenas deixar uma nota àqueles, do PS, que acham que o monopólio da luta pela liberdade é da Esquerda, para que abram os olhos e vejam que aqueles que por ela lutaram estão a desaparecer e a ser substituídos por aqueles que não viveram nesse tempo. Estes têm o dever de honrar a memória dos valores da liberdade.

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