Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

terça-feira, abril 03, 2007

Sim, são bons ventos!

Há uns tempos sobre a mudança de poder na Alemanha e subsequente mudança de atitude desta potência europeia em relação a Washington, à época por ocasião da primeira visita externa de Merkel ser aos EUA e ao Presidente Bush.

É verdade com Chirac de saída e desacreditado a níveis inauditos depois da grande eleição Presidencial de 2002 na qual defrontou Le Pen, Merkel assumiu desde o primeiro dia as rédeas da política externa alemã e por arrasto a europeia. Os ares de "grandeur de France" já foram e Schroeder, macio e com simpatias francesas e russas deu lugar a Merkel, fria, discreta mas tremendamente arguta. Será por ser de Leste e conhecer bem os russos? Não saberemos mas esperemos que influa na sua actuação pois os russos são outro povo. É portanto em Washington que reside o principal aliado da UE, não na China e não na Rússia. A destrinça entre parceiro comercial e político é hoje, mais que nunca uma necessidade.

Em washington também se deram alterações de vulto. Os erros de 2002 e 2003 foram apreendidos e não obstante a linha mais consensual de Powell, somente hoje com Condolezza Rice se vêm mudanças na actuação americana, não tanto de dividir os estados europeus mas antes lançar as bases de um entendimento mais abrangente e pacífico. Com sorte a saída de Chirac e a, por nós almejada, entrada de Sarkozy levaram a Europa a um novo patamar de entendimento com os EUA, mas enfim são somente conjecturas.

Linhas de fundo, Condi re-alinhou os interesses americanos, saindo de um período durante o qual o terrorismo foi a prioridade única para que faça parte de um quadro mais lato que embora nunca esquecido foi negligenciado. Lembremo-nos de recentes visitas à America do Sul, o «backyard» americano e sobre o qual foi verdadeiramente escrita a incompreendida doutrina Monroe, mas também de uma nova política face à Rússia até porque a pressão incidente sobre a Mittel Europa quer-se diferente.

São bons ventos sem dúvida contudo o fim de mandato de Chirac será sempre momento de fim de festa e não de grandes inciativas. Uma vitória de Sego mudaria a equação e levaria a uma tensão enorme sobre o eixo Paris-Berlim, não apenas porque Merkel não estará pelos ajustes, Sego não aparenta grande fiabilidade. A isto acrescerá o facto que duas mulheres que comungam interesses comuns raramente se dão bem... Excepto Condi e Merkel pois claro.

A fragilidade destes bons ventos é ainda notória, contudo poderemos estar na Europa à beira de uma nova viragem à direita, seja pela eleição de Sarkozy, pelas eleições de 2008 nos EUA e em Espanha e por uma eventual mudança em Inglaterra depois de anos de Labour, após a saida de Blair... A ver...