Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quarta-feira, abril 04, 2007

Crónicas de Província

O recente episódio do proto-Engenheiro Sócrates têm sub-episódios que são da maior importância para compreender o pais em que vivemos. Ainda ontem o Director da SIC-Notícias e irmão do ministro da Administração interna veio à antena dar o seu contributo, dizendo que é perfeitamente normal que o Primeiro Ministro lhe ligue, alias será a coisa mais habitual de sempre e que deve ser vista como salutar até.

Óbvio que acontecendo na RTP, vindo o seu director a público revelar o assunto e seria pano para mangas na SIC e na TVI sobre a independência da informação e a governamentalização da estação pública de informação. Estariamos perante um novo caso «Marcelo», aquele que abalou o pais e pôs a lume a discussão sobre a liberdade de informação, motivando até chamadas a Belém pelo sempre presciente Sampaio.

Sem nos perdermos contudo, garante o Sr. Costa que às normais conversetas de Sócrates com os directores de informação, estes, no sector privado, respondem com uma ímpar integridade e indepência. Alias sendo o Sr. Costa, podemos excluir logo à cabeça uma situação de conflito de interesses... Mas diz a mesma estrela do firmamento mediático que este governo não é diferente dos outros, somente «têm uma estratégia mais eficiente». Numa frase se vê a credibilidade deste indivíduo, das duas uma ou manipulado na teia de Sócrates, ou no papel de estoico D. Quixote que luta, até em conversas privadas com Sócrates pela liberdade de expressão e notícias recentemente vindas a lume sobre métodos pouco claros de obtenção de qualificações literárias.

Em Portugal, pais baço por regra e sujo por feitio, tomadas de posição virtuosas como as do Sr. Costa demonstram somente o quão podre vai o pais. Alguém acredita que este Sr. não compos umas noticiazinhas sobre governos, não conduziu campanhas de imagem nem têm o que os ingleses denominam de bias enorme para certos governos em detrimento de outros. E isso o que abona do sacrossanto estatuto deontológico ou da independência da informação? Nada, a política e o jornalismo deste pais nadam no mesmo charco verde e cheio de limos. Um e outro são a mesma coisa, a mesma gente e frequentemente partilham interesses conjuntos...

Garante o sr. Costa que é independente, imagino pois claro que em Cuba o director da televisão cubana e na Coreia do Norte também venham frequentemente garantir fidelidade aos canônes de verdadeira informação jornalistica. Este episódio de Sócrates, que nada traz de novo sobre o seu carácter, mas muito demonstram sobre o carácter de outros e especialmente da maneira como as coisas são feitas em Portugal, do jornalismo à obtenção de qualificações, à moralidade pública e ao perfil do profeta do progresso que dá pelo nome de Sócrates....

Algo de novo em tudo isto e até nas minhas ideias, cada vez mais desenquadradas no seu tempo temo, julgo que não, mas também estas breves linhas são somente uma pequena crónica de província e de paróquia na qual os habitués discutem entre si, em prol do interesse público ou em nome de grandes princípios quando depois são todos amigalhaços, se tratam por pá e outras coisas...

Alguém acredita nisto? Alguem acredita que a vida em Portugal têm alguma moralidade e que os media ou políticos são guardiãos de alguma moralidade ou legitimidade especial para que em nosso nome levem a cabo nobres e honoríficas missões? Eu cá acho que não... Mas também antes já o achava!