Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Hillary e Obama

O combate nas trincheiras democratas para 2008 afigura-se aliciante, duro e bastante mais interessante que o de 2004 entre os diferentes tons de cinzento de Howard Dean (claro), John Edwards (rato), John Kerry (cor de chumbo).

Desta vez temos na linha da frente das primárias democratas dois concorrentes de peso: o outro Clinton (há quem diga...a metade inteligente da família Clinton) e a rising star Barack Obama.

Quanto a Hillary não haverá muito a dizer: é esperta, fria, experiente, calculista e conta com uns cofres de campanha bem recheados para fazer frente aos próximos meses. Finalmente decidiu divulgar o que todos sabiam e tentar apagar o efeito do anúncio de candidatura recente de Obama.

Já Obama é um mistério. Praticamente desconhecido até há dois anos e meio atrás, quando proferiu o discurso principal da convenção democrata que entronizou John Kerry. Obama tem diversas vantagens sobre Hillary como o facto de ser uma cara fresca, não ter um histórico de votações complicado no Senado para explicar e de principalmente carregar consigo uma aura de carisma, paixão e esperança que a dama Clinton simplesmente não tem.

Aliás, basta ler o último livro dele (The Audacity of Hope, de Outubro de 2006) para perceber o que estou a dizer. Depois de ter lido o livro (e visto a loucura frenética em volta do mesmo) fiquei imediatamente com a ideia que Obama não resistiria a candidatar-se já em 2008 à Casa Branca.

Mas se acho Hillary calculista, conjugando o timing do livro de Obama com a divulgação por ele próprio que consumiu drogas há uns anos (num momento em que não lhe causaria grande dano e se encontra num pico de popularidade), não posso deixar de reparar que essa característica é também extensível ao outro candidato.

Os maiores problemas de Obama serão conseguir apelar a um eleitorado branco (o white male american) e, principalmente, conseguir gerir a euforia que se instalou à volta do seu nome. Este endeusamento a um ano das primárias e a dois das eleições poderá esgotar-se demasiado rápido e levar ao seu apagamento. Será difícil manter esta onda de good vibes e novidade em redor da sua imagem.

E depois, quando se usa como mensagem a cartada da "esperança", a qualquer falhanço será cobrado um valor elevadíssimo.

Aguardemos pois o que se passa nas trincheiras republicanas, sendo certo que três (fortes) putativos candidatos se perfilam: John McCain, Rudy Giuliani e Mitt Romney.