O caso Mateus
E num Blog que tem tendência para só falar de assunto relacionados com política, faltava escrever a nossa (minha, vá!) posição sobre o caso que tanta tinta tem descorrido nos jornais.
Em primeiro lugar, um pequeno resumo do caso:
O Mateus veio para Portugal jogar à bola. Ele só sabia jogar à bola. Logo foi para esse concelho onde a lei mora ao lado (Felgueiras), onde lhe deram contrato de trabalho e o registaram na Liga e FPF, como jogador profissional.
Infelizmente, como em tudo o resto em Felgueiras, não havia dinheiro... tudo no saco azul. Clube foi a voar e os jogadores também.
Isto a meio da época. Como o Mateus não sabia fazer mais nada tinha que arranjar dinheiro para comer. Logo, fez dois contratos com o Lixa. Um de jogador de futebol não profissional , de modo ao clube não pagar impostos e ele poder jogar, e outro de porteiro ou contínuo para receber o salário que, enquanto jogador da bola, tinha direito.
Passado uma época, em Dezembro, o Fiuza Futebol Clube (Grunho F.C.) quis contratar o grande Mateus. Ao saber de toda a situação, pediu um parecer à liga e à FPF no sentido de determinar se o poderia increver, uma vez que existia um contrato simulado.
Dizendo que não percebem nada disso, a Federação chutou o assunto para os tribunais (ou seja para 5 anos depois), por entender que o assunto não era de matéria estritamente desportiva. A liga recusou o pedido de inscrição.
Os "Fiúzas", espertalhões como eles só, intentaram uma providência cautelar no sentido de inscreverem o jogador (com efeito suspensivo) de forma provisória. Reconhecendo que a matéria era extra desportiva a Liga acata o ofício do Tribunal, os "Fiúzas" inscrevem o Mateus e este, jogando apenas quatro jogos, safa os "fiuzas" da Segunda.
Ao fim de um mês, os "Fiuzas" perdem ambas as acções intentadas (entretanto tinha pedido a nulidade do contrato no T. Trabalho do Porto), e logo deixam de poder jogar com a máquina angolana.
Desde então, tivemos pagode no Conselho de Disciplina da Liga (duas vezes, com demissões e escusas à mistura) e no Conselho de justiça da Federação (com reuniões em restaurantes etc).
Pergunto: O que é que os Fiuzas fizeram de mal?
Recorrer as tribunais? Fizeram com o acordo da Federação e com o respeito posteiror da Liga.
Mas a matéria é desportiva? Se o é, porque é que o Tribunal Administrativo não se julgou incompetente? E porque é que existe jurisprudência de vários tribunais superiores que atribui o poder de recorrer para as instâncias comuns?
Metem a pata na poça e depois a culpa é dos Fiuzas?
