Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

terça-feira, agosto 29, 2006

Participação portuguesa na UNIFIL Prós e Contras

A questão da participação de forças portuguesas na Unifil encontra-se em discussão entre o Governo e o PR, em princípio sabemos já que Portugal participará na missão de paz com um contingente em caso algum superior a 200 homens, sensivelmente o mesmo empenhado na Bósnia.

Posta a questão supra somos de opinião que Portugal se deverá abster de participar na Unifil, se uma eventual participação implicar em primeiro lugar a retirada de forças da missão na Bósnia. Porquê? Porque a missão na Bósnia, que dura desde os tempos do pouco sentido Eng. Guterres é feita ao abrigo de uma missão da NATO, ora sendo a NATO a nossa primeira linha de defesa e aliança fundamental e primordial. O nosso compromisso internacional deverá ser sempre com a NATO primordialmente, não apenas pelas verbas mas também por na NATO se potenciar uma integração operacional com exércitos ocidentais que são os nossos aliados, opor-se-à que a missão da UNIFIL será sempre em contexto de cooperação com outras forças europeias, contudo como é sabido a integração somente europeia a nível de defesa é limitada e fraca se comparada com a NATO.

Continuando, missões NATO, salvo a intervenção no Afganistão, implicam um interesse estratégico superior para a política externa portuguesa e sua projecção de entre aliados. Já antes saudamos as ponderadas decisões do governo nesta matéria, contudo acreditamos que o interesse nacional não é servido pela participação na UNifil, se a aposta portuguesa é na Europa, deverá ser nesta esfera de influência que deve priviligiar a intervenção de nossas tropas. A questão a colocar é: servem-se de que forma melhor o interesse nacional, na Bósnia ou no Líbano?

Reforçando a posição de que é no quadro da NATO que devemos cimentar e afirmar o nosso prestígio, ressalvamos que a missãoi extra europeia desta instituição é realizada em condições muito especiais que resultaram do 11 de Setembro e reacção norte americana, a barbarie do atentado e seu significado justificam reafirmação da coesão dentro da aliança num momento de grande aperto e redefinição estratégica que foi o 9/11. Serviu-se bem o interesse nacional, ao dentro da NATO participar nesta e noutras missões, não só porque demonstra que dentro da sua capacidade, Portugal é um aliado credível, mas também que é na NATO que se jogam os nossos interesses superiores de defesa, mais do que nas instâncias europeias de defesa pelo menos...

A posição de manutenção de um empenhamento de forças em dois teatros de operações não é possível, não dispõem as Forças Armadas e o País de recursos para tal, a opção naval no Líbano não é igualmente uma opção viável uma vez que tal implicaria, num momento em que a capacidade submarina está reduzida a um mínimo e os ciclos de emigração do norte de África avançam sobre as canárias e mais tarde ou mais cedo sobre a Madeira, paralelamente a "Guerra das Drogas" que se trava nas nossas costas, com apreensões recorde todos os anos, são argumentos que justificam que não sejam alocados meios para fora do nosso dispositivo naval sem que tal resulte numa perda na nossa capacidade de defesa primária e prioritária. O emprego de uma fragata em águas mediterrânicas implicaria também que a breve trecho o dispositivo naval nacional, já desde si no limite ficasse na Época de inverno no atlântico privado de um recurso valiosíssimo. Caso o bom leitor ainda esteja conosco, a partir de Outubro, Novembro nos Açores e Madeira são os meios navais reforçados por conta do agravamento das condições metreológicas que justificam uma maior necessidade de saídas operacionais e suplemento de meios.

No mais é dentro da NATO que jogamos primordialmente, não dentro do quadro da ONU, que por mais benemérito e bem intencionado, não serve o nosso interesse nacional número 1, a política atlântica e europeia. Timor não interessa discutir, contudo presentemente é primordial que Portugal se projecte dentro da NATO, sendo a missão da UNIFIL coordenada por países europeus é normal que haja a tentação de aí participar, até porque a política de defesa não deve andar dissociada de outros ramos da política externa, contudo numa questão de prioridades, a UNIFIL deve ser subalternizada por força do real interesse estratégico português. Ficam certamente argumentos de fora, e sem prejuízo de voltarmos novamente a esta questão se os argumentos o justificarem, temos a maior confiança de que aonde seja e de que forma seja os homens e mulheres das nossas Forças Armadas faram o melhor trabalho possível com os meios que dispõe, sempre no melhor interesse da soberania e prestígio nacional.