Caros comarreteiros e leitores,
Estou de saída para Barcelona na próxima semana e como já não tenho internet em casa, não irei postar mais até à minha instalação definitiva na cidade condal.
Assim, cumpre-me tecer umas breves considerações sobre a UNIFIL e o Líbano.
Penso que a nova força será tão (in)útil como a anterior para evitar hostilidades ou conseguir o desarmamento do Hezbollah. Lamento, mas cheira-me a tigre de papel com um mandato pouco claro e sem a força necessária.
Assim, acredito que a paz podre se irá manter no Líbano, não por acção da UNIFIL (que nem vai patrulhar a zona da fronteira com a Síria...porque será?), mas sim por vontade implícita de ambas as partes.
Nasrallah já obteve o que queria: reconhecimento, credibilidade junto do mundo islâmico, provar que é possível resistir-se a Israel, negociações para uma troca de prisioneiros e a possibilidade de esconder as armas sem na realidade se desarmar. Qualquer retomar das hostilidades poderia perigar as suas conquistas. Daí o seu mea culpa público sobre as consequências da guerra sobre o povo libanês. Tratou-se de uma mera operação de relações públicas. Não acredito que Nasrallah não tivesse presente as consequências de uma provocação a Israel. Como qualquer bom político, mentiu à sua base de apoio e demonstrou alguma consideração para com os seus adversários internos.
Se tivesse a jogar BlackJack teria obtido um 18 ou 19.
Israel já percebeu que a estratégia da guerra foi um erro: não libertou os soldados, não destruiu o Hezbollah militar ou politicamente, não conseguiu que existisse uma força de paz com mandato para desarmar o Hezbollah e demonstrou as fracturas existentes dentro da cadeia de comando e dentro do próprio executivo de Olmert. Enquanto continuar a caça às bruxas em Israel pelos erros cometidos neste conflito, não irá importunar o Hezbollah. A sua única vitória foi demonstrar à Síria e ao Irão que não irá tolerar ingerências no seu território e fazer prova que numa guerra convencional está preparado para criar estragos em qualquer um destes países.
Em BlackJack teria estoirado os 21.
Por fim, termino com a frase de capa da The Economist da semana passada: Nasrallah wins.
Saudações e até ao meu regresso!