Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quarta-feira, julho 19, 2006

Arame farpado e fossos!

Hoje o DN dá enorme destaque à continuação da perda de quota de mercado das mercearias, aliada à quebra de quota também dos hipermercados. Em contrapartida os supermercados que face ao boom dos hipers adoptaram novas estratégias de desconto e procura de clientela, bem como melhoraram paulatinamente a qualidade de serviços, factores que evidenciam e sustentam esta franca recuperação, aproximando-se das grandes superficies.

Entrevista a um responsável do lobby das mercearias, "culpa" os supermercados e a estratégia seguida por estes como responsáveis pela quebra e quase aniquilação do comércio dito tradicional. Comércio tradicional é um conceito vago e indeterminado que muitas vezes não se compadece com os dias de hoje, os seus acólitos devem viver noutro mundo. Nos últimos 20 anos a estrutura do comércio alterou-se profundamente e para melhor, a título exemplificativo salientamos não apenas as novas, mais variadas e crescentemente exigentes necessidades dos consumidores, a mudança nos hábitos de higiene, maior diversidade de produtos disponíveis e a facilidade de deslocações, que levam a um alargamento da escolha do consumidor, felizmente leia-se.

Enfim são evidências mais ou menos pacíficas, contudo há sempre os iluminados que entendem preservar e incentivar o comércio tradicional. Medidas como encerramentos dos hipers ao domingo e outras são acompanhadas por fátuas campanhas publicitárias que nos tentam convencer dos méritos daqueles pequenos botecos com o "velho amigo merceieiro" detrás do balcão. Verdade seja dita que em alguns bairros uma merceria dá um ar pictoresco e mesmo simpático contudo em mais de 20 anos o que mudou no comércio tradicional?
Sinceramente sou de opnião que um merceeiro não é amigo de ninguem mas em bom rigor, as lojas continuam sujas, o cardápio de produtos continua mínguo e os preços superiores aos praticados pelos outros sectores.

Que mais valia aporta o comércio tradicional ao consumidor?
A ponta de um corno! No entanto insistem os de sempre atribuir as culpas do a estes ou aqueles...

Tristemente não se aperceberam esses que a culpa é só de uma pessoa, do consumidor que racional dentro de certos limites e num mercado mais ou menos livre e variado não hesita em tomar a melhor escolha em termos de preço, variedade, higiene e horários. Pois a culpa será certamente do capitalismo, do Adam Smith e da mão invisivel,da Globalização e dos nefandos Belmiros e outros que "acabaram com o comércio tradicional". E o comércio tradicional esse sim, baluarte de valores e virtudes da vizinhança, eixo transversal de boas práticas e simpatia em 20 anos nada mudou somente envelheceu e certamente acabará mercê da concorrência.

Numa guerra dura e sem quartel o comerciante adoptou a técnica da trincheira, levantando arame farpado e fossos, colocando minas e mantendo-se inalterável ao passar dos tempos esperando que o consumidor aceite passivamente ser pior servido. Nós por cá apostamos que a estratégia é fadada à derrota, das duas uma ou mudam, ou fecham, não há meio termo.

Eu por mim se fosse comerciante tradicional apostava na mais valia específica e transformava a sebenta mercearia numa sofisticada loja Gourmet apostando aí numa estratégia de simpatia e atenção específica às necessidades do consumidor, uma estrategia mais a moldes do armamento inteligente!