A pátria hoje agora e sempre...
Aproveitando o mote dado pelo contumaz co-blogger e encontrando-nos numa disposição queirosiana, fruto de leituras recentes fica lançado o repto, será que em Portugal alguma vez existiu uma consciência crítica espontânea e livre?
Em bom rigor creio que não, é como Salazar dizia uma questão de feitio. Dizia o mesmo que os portugueses não são povo com capacidade de viver em Democracia, provavelmente têm razão não o somos, hoje sob o frontispício de uma sociedade democratica esconde-se uma partidocracia mediocre, em que os partidos do Rotativismo monárquico ou do final da primeira república foram substituidos por novos caçiques. Neste momento pensa o leitor (se é que os há e se pensam), oh não lá vai ele outra vez, uma longa invectiva sobre a medicriocidade das classes dirigentes servida com acompanhamento de convicção mediocre de tudo o que nasceu no luso solo...
Zás! Desengane-se o leitor hoje não, continuando a ideia de Salazar e de outros antes como Afonso Costa verdadeitamente o português não é feliz com a escolha e muito menos com liberdade crítica, seja pela evolução histórica seja por feitio a verdade é essa, o indígena não gosta de pensar por si, gosta da multidão, da maralha, de ir na onda do Scolari, da pedofilia ou outra qualquer, mas o que verdadeitamente ele não gosta é de ser responsabilizado pelas escolhas ou de ser chamado a decidir, a tomar parte e a responder pelo que faz.
Por partes, o português não gosta de decidir por si ou de sair da opinião dominante seja com Governos, seja com a maneira de vestir, de agir ou mesmo os sítios para onde vai. O país é pequeno e exíguo, as mentalidades então... Veja-se o caso dos idiotas que por ai andaram de bandeirola e buzininha que entre a escolha de se quedarem em casa ou irem dar uma volta se preferem aglutinar em engarrafamentos e maralhas imundas com cores de origem histórica dúbia servido pelo ror buçal de Portugal allez e acompanhado por comemorações de uma constância e previsibilidade inigualáveis. Ahh que bom o povo manifestar-se e sair à rua disseram os spin doctors do politicamente correcto, oh pobre gente digo eu é que pra ver aquilo até dá vontade de instaurar o recolher obrigatório.
Continuando, o português não gosta de decidir, de sair da incógnita multidão, de destoar e vir publicamente defender ou criticar quem ou o quê lhe causa desconforto, é uma questão de feitio bem o sabemos seja por numa pequena aldeia os que publicamente tomam posições são os que mais facilmente são atacados seja por e mais uma vez fruto de pequenez e ignorância sermos o povo do mais ou menos.
A política? Mais ou menos!
A vida? Mais ou menos!
A alma? Mais ou menos!
Os valores colectivos ou a educação? Mais ou menos?
A bola ? Sempre!!
É pois verdade somos um povo insonso sem capacidades críticas, melhor espelho disso? Os média, o constante mal estar em que tudo está mal mas no momento de tomar posições é sempre tudo mais ou menos! A capacidade crítica não existe, em casa, na escola, em sociedade, no trabalho. Não existe uma capacidade de reflexão colectiva, de julgar e pensar per si, outra evidência, os comentadores que nada mais são que especialistas em «mais ou menos» e que «mais ou menos» dão opiniões «mais ou menos» livres sobre «mais ou menos» isto e aqueloutro.
Num país anglo saxónico ou mais do norte da Europa como a Alemanha, figuras como Marcelo Rebelo de Sousa ou outros que apontam à unanimidade ou fazem comentário com finalidades próprias seriam votadas à ignorância ou simplesmente à indiferença. Ora o luso gentio vive ainda numa mentalidade de notáveis, de Professores e de reverências, rédea solta dá piores resultados como se vê com PREC's e I República é bem verdade mas um e outro andam a mãos dadas, ora um regime ou status quo cria notáveis e partidos que um dia «mais ou menos» se diverte a arrastar na lama com confiscos ou degredos voluntários ou não, mais uma vez porque os que foram na maralha se fartaram alguem os instilou a fartarem-se.
A falta de consciência crítica vê-se na igualmente na ânsia jornalistica e popular de ver sangue, de ver esses estatutos, seja do político, professor, polícia, juiz ou qualquer outro que represente uma autoridade ou poder desmascarado de fronte da aldeia, das reverências passa-se para o lodaçal para o arrastamento e destruição de nomes e reputações como se viessem os púdicos, os impolutos ou os intocáveis desmascarar a fraude do estatuto ou o homem por detrás da mesma, publicamente despidos da autoridade que as suas robes ou farda lhes aportam perdem a aura de poder e respeito unânime que mais ou menos inspiram mas que é servido com a já costumeira dobragem de espinha quando em terreiro se cruzam. Estou a divagar pensaram alguns, nada disso é que uma e outra se encontram juntas ou seja o estatuto e a pessoa, não sabendo a maralha distinguir uma da outra, isso é falta de cristianismo o homem sempre o homem quem perdoa o homem? Ninguém porque o homem é o estatuto e os dois são indecomponíveis ora aí é que falta a crítica na capacidade ímpar de amalgamar tudo, os políticos todos iguais, os juízes todos iguais, os funcionários públicos, todos iguais, os banqueiros e empresários, os trabalhadores e os sindicalistas, basicamente todo o mundo, todos iguais!!
As mentalidades essas claro são...todas iguais?
Eu não destoando lanço o meu cavaco ao braseiro, os jornalistas... todos e iguais.
E como vai V. Exa.? Mais ou menos!
