Uma Terceira Via?
Após leitura de um dos muitos (hum.. ok só um) comentários ao post do meu caro co-bloger, não resisto em fazer uma adenda.
Se é verdade que as raízes do CDS, se fundaram da doutrina social da igreja, não é menos verdade que esta era uma necessidade de quem precisava de se distanciar do PSD pós Prec, mas não se encostar à direita salazarista, considerada anti-democrática e ultra-conservadora.
Foi por esta razão, que Freitas do Amaral entendeu colocar o Partida supostamente no centro político, mas com o apoio da Igreja, o que obrigou o partido a tomar posições consideradas conservadoras. Daí a alinharem-no à direita foi um salto.
No entanto este posicionamento, no final dos anos oitenta já não fazia sentido, uma vez que a importância da Igreja na vida dos eleitores deixou de denotar tão grande importância, e os valores por ela defendidos (mal ou bem) deixaram de garantir uma representação suficiente no Parlamento.
É claro que se pode discordar do caminho tomado depois, quer por Manuel Monteiro, quer por Paulo Portas. Mas o que é um facto, é que estes dois líderes, defenderam a mudança num partido que tinha de mudar, apresentando novas bandeiras e ideias para Portugal. Perceberam o modelo esgotado de CDS. Primeiro CISMA.
Assim, partiram para um partido de causas: primeiro o euro-cepticismo, depois a segurança, em seguida o combate às injustiças da guerra do Ultramar, as pensões de pobreza etc.
Dir-me-ão... mas eles foram opostos...defenderam pólos no modo de fazer política. Concordo. No entanto, ousaram reformar um partido cuja base ideológica, perdeu sentido ao longo dos tempos, nomeadamente a partir da entrada de Portugal na CEE.
Voltar ao velho CDS? Essa base de apoio não existe. As pessoas que votaram em 76 já desapareceram. O que existe sim, é um vazio na area da direita democratica e responsável, onde o CDS se pode colocar.
No entanto, o partido das pequenas causas também se esvaziou uma vez que o eleitorado desconfia dessas soluções.
Assim é necessário uma clarificação. É preciso que o partido diga o que pensa sobre um conjunto vasto de matérias. Sobre os grandes problemas da sociedade portuguesa. Não chega dizer que somos a favor do progresso económico e social e contra a pobreza. Todos o são.
Se é necessário caminhar para um neo-liberalismo, então é esse o caminho que deve ser trilhado pelo CDS.
Sob pena de se fechar em si mesmo, e implodir como o PRD...
Partido de pequenas e parciais causas, ou partido religioso, são dois moldes que se encontram gastos. Quem percebeu isto, foram todos os lideres do CDS/PP que abandoram a vida do partido... todos sem excepção.
Desculpem... faltou Portas. Ora bem, Portas pretende que alguém execute esta transição, sem ter de sujar as mãos. Ou melhor, sem ter medo do resultado eleitoral que advirá da alteração ideológica que o partido irá sofrer, uma vez que poderá culpabilizar o último que esteve sentado no "cadeirão".
Assim para uma pessoa como eu, espectador em casa de vizinho, se o PSD se encontra numa encruzilhada, o CDS há muito já vislumbrou um beco, para o qual ainda não arranjou caminho alternativo.

Pois é, mais uma vez discordo..
Para pseudo-liberais e neo-liberais já temos em Portugal não um mas dois partidos, que juntos ocupam 2/3 do espectro político português. Quando se fala em velho CDS não se quer um partido assente em Fátima e na Santa Madres Igreja, mas sim um partido democrata-cristão. Aliás se virmos bem as coisas, e um bocado sustentado nas palavras (algo tristes devo dizer) do presidente "Castro", quem andou com a N. Sr.a ao colo foi o Liberal Portas que, por detrás de missas e outro tipo de actividades, lá ia avançado alegre e contente a descaracterizar o partido fundado em '74.
Não discordo que Manuel Monteiro teve dos melhores resultado eleitorais de sempre, mas tem de se apreciar a conjectura socio-política da sua época... ao fim de 10 anos de Cavaquistão o país estava saturado e quem não era de esquerda só tinha a alternativa de um partido de direita que, devido à sua juventude, era atractivo e até mesmo "sexy" como se diz hoje em dia...
Mas esse modelo, tal como M.M. o iniciou e P.P. o continou, rapidamente se esgotou, aliás basta vermos (e este sim é um facto que NUNCA aparece nos jornais) que o resultado do P.P. nas eleições de 2002 foi dos piores resultados DE SEMPRE do C.D.S., mas com um pequeno senão, o P.S.D. precisou dele para governar... Esta é a grande verdade que ninguém quer realçar, toda a gente se lembra do nervoso miudinho do Largo do Caldas nessa noite (Telmos, Pires de Limas, P.P's, etc.), em que, até à última da hora tiveram à espera para saber se havia ou não maioria absoluta do Durão.
Resultado esse que, depois de anos de governo, naturalmente diminui, mas isso sim era de esperar porque o governo estava na curva descendente do meio do mandato.
Enfim tudo para concluir que talvez um regresso, não ao passado mas às origens ideológicas do partido adaptadas à realidade dos nosso dias, talvez seja mesmo uma opção a considerar, até porque para ser mais um partido neo-liberal mais vale a fusão definitiva com o P.S.D...
Cumprimentos..
2:45 p.m.
Para prova do alegado:
1975 CDS: 434879 (7,61%) 16
1976 CDS: 876007 (15,98%) 42
1983 CDS: 716705 (12,56%) 30
1985 CDS: 577580 (9,96%) 22
1987 CDS: 251987 (4,44%) 4
1991 CDS: 254317 (4,43%) 5
1995 CDS-PP: 534470 (9,05%) 15
1999 CDS-PP: 451643 (8,34%) 15
2002 CDS-PP: 477350 (8,72%) 14
2005 CDS-PP: 416415 (7,24%) 12
in http://eleicoes.cne.pt/raster/index.cfm?dia=20&mes=02&ano=2005&eleicao=ar
É engraçado ver que, tirando os tempos do "partido do táxi", o Portas foi o líder que teve os piores resultados, aliás sempre a descer em termos de mandatos..
3:57 p.m.
Meu caro Tiago,
Não percebeste o post. Eu não estou a dizer que o Portas esteve bem e os outros não, ou se só ele poderá ter bons resultados.
O que eu digo é antes uma coisa diversa. O modelo de partido como o CDS terminou. Já não existem figuras da craveira de Freitas do Amaral para conduzirem o CDS aos 15%, até porque não o conseguirias fazer por diferença de propostas uma vez que o PSD ocupa o espaço.
Assim, sem propostas mobilizadoras e líderes nacionais, o CDS está condenado... excepto se encontar (i) um lider com o seu carisma, com uma imagem coerente e (ii) defensor de uma verdadeira política liberal.
Política liberal não significa anti-social. Significa dar mercado a uma economia fechada. Desenvolver um modelo de Estado a partir do 0, reconhecendo-se que se falhou. Significa defender, sem medos, uma revisão constitucional que retire todas as limitações a uma verdadeira política virada para a modernidade, o mercado, e determinadas conquistas do Estado Social.
Querer defender isto, sem ter coragem de o afirmar a alto e bom som é simplesmente inútil.
Eu pergunto: o que é que é o verdadeiro CDS? o que é que ele defenderia? Passados 20 anos do seu ultimo resultado relevante?
4:29 p.m.
Então e gajas, há por aí ou não?
ACO e JSR
1:07 a.m.