Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

quarta-feira, maio 03, 2006

Irão ou Iraque? EUA ou Europa?

O caro internauta provavelmente estará a pensar o porquê deste título, mas ele, como se verá, é auto-explicativo. Basta relacionar... No entanto, peço lhe que antes que pare para pensar, leia.

Encontramo-nos neste momento, com uma das situações mais explosivas e perigosas das últimas décadas no Médio Oriente. A situação do Irão é apenas aquela que nos permite colocar uma face, e uma país, no centro dos nossos medos. Mas a verdade é que por todos os país daquela zona, não se respira um vento favorável de democracia e prosperidade... antes pelo contrário.

Se os regimes moderados do Egipto e da Jordânia encontram-se num semi-impasse, uma vez que todos os dias os seus regimes sofrem maior pressão por parte dos líderes religiosos para tomar posições cada vez mais duras contra os regimes e posições ocidentais (nomeadamente americanas), nos restantes países da região a situação social e política não é melhor. Iraque em clima de tensão, com constantes ataques terroristas, ainda que acredite que o pior já passou. A Palestina com um governo terrorista disfarçado. Israel com um poder político em busca de afirmação. A Arábia Saudita no mais cruel das encruzilhadas: riqueza mas um descontentamento religioso que pode pressionar mudanças no espaço de uma geração.

E o Irão...

O Irão, como se vê, é apenas mais um. É verdade que procura energia nuclear e entende que é seu direito as obter e desenvolver. No entanto, e devido ao equilíbrio (alguns dirão desiquilíbrio) presente na zona, este direito é negado.

Mas convém dizer... é negado por nós. Europeus. É claro que os Americanos também não querem, nem deixarão que a Arma caia nas mãos erradas, mas desde à vários anos (nomeadamente desde a eleição do actual presidente iraniano), este dossier foi entregue à Europa. Cabia a ela, conseguir "dominar" os desejos do Irão, e dos Xiitas.

O que verificamos, no impasse vivido no momento, é a falta de respostas da Europa. Tendo uma abordagem compreensiva e aberta com o regime iraniano, não obteve qualquer benefício nesta actuação, tendo sido manipulada da mesma forma como os Americanos o foram no Iraque até ao início da 2ª Guerra do Golfo.

Aqui se encontram as semelhanças... Situações onde países com a mesma matriz ideológica, baseada na liberdade, democracia e liberdade de confissão religiosa, chocam com países que têm uma matriz em tudo oposta. E abordam o problema de maneira diferente.

Penso que ainda é cedo para verificar como a situação do Iraque se irá desenvolver, no entanto, e desde já, me parece que não apresente tão graves problemas como o Irão. Aqui não existe acordo na ONU (até porque a Rússia e a China, também não partilham integralmente os referidos valores), nem a potencialidade de uma actuação unilateral por falta de meios (e de interesse)por parte do EUA.

Resta saber... estamos todos preparados para dar as boas vindas a mais um membro dos países com arma nuclear?