Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

terça-feira, maio 02, 2006

Segurança Social ou falta de decisões estratégicas?

Confesso que não ouvi o debate no Parlamento onde o PM Pinto de Sousa resolveu apresentar um conjunto de medidas que no fundo visam sacar mais a quem está agora a trabalhar, não retirando um milímetro àqueles que continuam a ganhar multiplas pensões do Estado, por terem estado na CGD, no BP, ou na AR e Governo durante uns anitos.

Mas, no sentido de me esclarecer, resolvi ver o debate prós e contras de 2ªa feira. As minhas conclusões são as óbvias...

Se todos estão de acordo em que se devem penalizar as reformas antecipadas, que se deve "obrigar" na medida em que a entidade patronal o aceite, o trabalho até mais tarde, nomeadamente até depois dos 65 anos, porque é que se considera este tema fracturante?

4 pessoas de diferentes quadrantes políticos. Todas com opiniões relativamente concordantes face às medidas do governo. É este o amplo debate que a sociedade portuguesa merece?

Mas... que ouço eu... um dos participantes a por em causa o timing? A dizer que a Segurança Social sem crescimento económico é dar dinheiro a quem não o produz não exigindo nada em troca...

Este homem deve estar louco... então mas não estavam todos de acordo?????

"De facto, pôr em causa o TGV, a OTA, as SCUTs... quem o Sr. pensa que é?"

"Pensamento único na sociedade una" - Semelhanças de Salazar no Ministro Vieira da Silva.

Peço apenas ao internauta, que pense nas seguintes questões:

- Até quando poderemos pagar subsídios de desemprego a quem trabalhou 6 meses?

- Até quando os quadros das instituições supra referidas, poderão continuar a recebê-las? Qual a legitimidade de pedir esforços a todos se, dentre eles, existe quem não o tem de fazer?

- Até quando poderemos continuar a não aumentar a idade da reforma? De forma clara e objectiva? e não atraves de penalizações e instrumentos burocráticos que não enganam nem o careca?

- Em suma, até quando poderemos tomar decisões estratégicas que consomem grande parte do plano de investimentos de um governo, durante décadas, sem existir um acordo entre partidos de governo?

- Será aceitável investir em infra-estruturas vagamente necessárias para o país, e não utilizar os recursos no sentido de reformular toda a organização do Estado em Portugal?


Se o problema está no Estado (e parece ser essa a questão, uma vez que as empresas privadas de sucesso continuam a dar lucros incalculáveis), ataque-se o Estado. Não a segurança social que é de todos, e para a qual todos contribuimos. Se ela está mal calculada nos seus três eixos fundamentais, que se reorganizem os eixos. Que se invistam em políticas de natalidade. Que se alterem as fórmulas de cálculo das pensões.

Estamos todos de acordo. O problema é o que acontece depois. O dinheiro poupado não pode ser desbaratado em mais pontes que não servem ninguem, em feiras que se transformam em casinos, em estádios que estão na segunda divisão, ou em aeroportos ou caminhos de ferro que não tem nenhum, repito, nenhum impacto na economia nacional. Gastamos biliões para possibilitar reduzir em 30 minutos a distância entre duas cidades.

Quantas pessoas tiveram que trabalhar mais anos, reformar-se mais cedo, ou fechar fraudulentamente as suas empresas para que o Estado se possa vangloriar das suas conquistas de Piro?