"What goes around, comes around" - ditado popular inglês
Os meus caros leitores (será que deveria colocar isto em singular...?) provavelmente encontram-se perplexos tal como eu.
Todos os dias são mais de 15 minutos de prime-time falando sobre a situação em Timor, a situação de pré Golpe de Estado e Guerra Civil que lá se vive, existindo todos os dias uma nova invasão a uma embaixada ou ministério do recém eleito governo de Mario Alkatiri.
A pergunta que eu deixo é a seguinte: Who cares??????
Sou muito sincero... não tenho qualquer simpatia especial ou interesse por Timor. Apesar de ser uma ex-colónia, Portugal foi responsável por décadas de sofrimento daquele povo, aparecendo em 1999 como salvador da pátria de cara lavada, como se não tivesse qualquer responsabilidade sobre o assunto. Temo-la e é grave!
E não são 240 milhões de euros de ajuda em 5 anos que vão ajudar. Aliás comparado com a ajuda prestada pela Austrália, são literalmente peanuts.
Em 1999 deixamo-los novamente sozinhos. Com uma força transitória das NU, que, como já se sabia era insuficiente a longo prazo. Ou bem que queriamos um Timor livre com condições económicas e políticas para sobreviver, ou então a independencia era uma arma, com uma bala suicidária.
Revela-se agora que Portugal não tinha qualquer previsão para o aftermath de Timor (qual Iraque...). Não existe futuro económico e político (com mais de 50% de desempregados e sem qualquer aparelho produtivo excepto o do Café Delta e do petróleo australiano).
Tenho pena em afirmar que a responsabilidade é novamente, em grande parte, nossa.
Mas pior do que isto, é o facto de não a assumirmos. Depois de lutarmos pela independencia de um povo que, embora tendo o legitimo e natural direito à auto-determinação, não tem meios económicos e sociais para andar sozinho, não investimos, não ajudamos militarmente, apenas falamos. Mandamos umas bocas aos australianos que já lá colocaram uns milhares de militares para assegurar um mínimo de condições de estabilidade. Mas e fazer alguma coisa?
Porque até dizer que não temos nada a ver com isso é fazer algo...
Decidam-se e larguem a perspectiva de que o que é preciso são palavras... o que é preciso é acção, investimento, apoio humanitario, social e militar. Em último caso, e como dizia Sousa Tavares, ocupar Timor através de uma força multinacional durante décadas no sentido de assegurar o desenvolvimento de um aparelho produtivo e social que seja suficiente para sustentar um país.
Se infelizemente a guerra civil for uma realidade, não serão novamente os indonésios a tomar contar do território outra vez?