Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, maio 22, 2006

Mas que diabo... é apenas um livro

Pergunto ao meu caro co-bloguer e a cada um dos leitores se, cada vez que lêem um livro, concordam com cem por cento do que lá é dito ou opinado.

Antecipadamente digo que não.

Não por razões diversas, mas antes por razões intrinsecamente simples.

Em primeiro lugar, porque nenhum livro possui a verdade inteira das coisas (nem qualquer outra coisa diga-se...). Nem os livros sagrados das religiões mais representativas devem ser entendidos assim, sob pena de voltarmos a sociedades onde imperava a escravatura, o desrespeito pela dignidade humana ou pelo papel da mulher (ainda hoje negada nos países muçulmanos). Não sendo a verdade absoluta, é permitido que, sobre eles, sejam feitos trabalhos jornalísticos (esses sim preocupados com a verdade dos factos) ou trabalhos ficcionais, de cariz cómico ou tragico, que poderão ter os mais bizarros fundamentos, e que apenas os consumidores desses mesmos bens deverão julgar.

Em segundo lugar porque o homem é um ser dotado de imaginação. E isso faz com que ele queira acreditar nas ideias mais bizarras. Desde o principio dos tempos, pensavamos no absurdo, entendendo-o como possível. Terra plana? Monstros no horizonte marítimo? Extraterrestes que fizeram as piramides? O Homem das Neves? O monstro do Loch Ness? a "mágica" ida à lua, ou os extraterrestes em Roswell.

Nenhum destes cenários existe. Ainda que muitos creiam intimamente na sua existência (onde eu me insiro...).

Porque será que não podemos questionar alguns factos que fundam a igreja católica? ou melhor... porque será que a sociedade se encontra impedida de pensar diferente... pensar ao lado.

Será descabida a tese? Talvez. Certamente. Mas não será possível? E não seria bom que o Messias tivesse deixado prol?? Não é uma ideia acreditáveL?

Aproveita-se do neo-paganismo militante? Sinceramente não me parece. É uma obra literária que, como a grande parte, para não dizer 98% das obras literárias dos nossos dias, não perdurará uma década que seja. Mas isso não quer dizer que seja um bom divertimento. E é isso que interessa.

Se alguém tivesse escrito em livro as aventuras de Indiana Jones, provavelmente seria similar àquilo que todos os escritores referidos pelo DML escreveram. E também referia o descobrimento do Santo Graal, e a arca da Aliança. Que teria imprecisões históricas, certamente. Mas diverte. Esse é o objectivo da ficção.

Que não se goste, se ache uma perda de tempo tudo bem. Mas defender a veracidade da doutrina da igreja contra uma obra de ficção, denota apenas a situação de inferioridade que a Igreja se coloca. Colocar-se no mesmo patamar de obras de ficção (especialmente aquelas que não tem como escopo uma nova concepção histórica), revela uma Igreja que não lidera os seus fiéis, mas antes se questiona a ela própria, como que admitindo o peso da instituição e naquilo que por ela foi deliberado em Niceia, ou praticado durante a Inquisição.

Pergunto: Será que alguem será ou não será crente ou cristão se vir/ler a obra? E não será bom ver a obra e questionar-se depois sobre os factos lá descritos?

Sempre fui adepto que a curiosidade é uma das funções primordiais do homem, e nada melhor que uma boa ficção para a aguçar.

Vão ver o filme... ou melhor... leiam o livro.

P.S. Mas leiam os outros dele... são melhores!