Um ano...
Hoje apetecia-me originalmente blogar acerca da "falsa"escalada da Crise Internacional que opõe o Irão aos EUA e seus aliados atlânticos mas deixemos essas insignificâncias para outro dia, já que por culpa minha passou em claro o ano que ontem se cumpre sobre a eleição do Papa Bento XVI.
Rotulado ou etiquetado pelos media e por muitos católicos e outros o Bento XVI continua a surpreender os que pouco esperavam ou preferiam não esperar, caindo em comparações fáceis ou comparando incessantemente este com o seu antecessor, ambos homens de Deus, ambos homens e assim sendo ambos muito diferentes. Antes de ir ao âmago do post de hoje lembremo-nos que o nome Bento foi escolhido propositadamente por conta do seu antecessor directo no nome, Bento XV que tentou unir a Europa antes e durante a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Coube a Bento XV a espinhosa tarefa de diriguir o Vaticano durante um dos conflitos mais sanguinários de sempre que opôs cristãos de diversas religiões. Também Bento XVI, com um sentido político e religioso muito apurado tentou desde o dia um do seu pontificado unir os cristãos em torno de uma matriz cristã e europeia, saudando os valores que quer se queira quer não são parte da matriz cultural europeia, o amor ao próximo, a tolerância, o perdão, a auto-crítica mas também a defesa deste património contra agressões e desvios que criam ou são artificialmente criados por alguns que insistem em negar este património axiológico judaico-cristão de matriz europeia.
Bento XVI empreendeu esta defesa no plano axiológico ou dos valores, pondo o enfoque não no catecismo católico mas sim nos valores cristãos que são a cola que junta os povos que se designam europeus. Resulta daí pois o seu papado ter no primeiro ano sido marcado por afirmações de doutrina eminentemente políticas também, os que ao comparar Bento XVI com o seu sucessor e o consideram com menor intervenção política estão para além de rotundamente enganados a demonstrar a sua grossa má interpretação dos problemas sociais e culturais que afligem a Europa nos dias de hoje. João Paulo II beneficiou de um sistema com templos e fachadas e um património cultural muito mais fácil de atacar, o comunismo que desde Stettin no Báltico a Trieste no Adriático encerrava detrás de uma cortina de ferro mihões de seres humanos, amordaçados nas suas liberdades e que há muito ansiavam uma palavra de esperança de alguém que os compreendia e tinha passado pelo mesmo. Bento XVI foi eleito 5 anos depois do 11 de Setembro, evento que mudou a nossa percepção estratégica e geográfica do mundo. Entende o mesmo que os adversários do Cristianismo não são como alguns querem fazer crer outras civilizações ou religiões, mas sim os que por beneficiarem das liberdades e modo de vida europeu e logo eminentemente cristão o destroiem quotidianamente seja por acções seja por omissões. A esta luz faz sentido que se faça em momentos solenes como a Páscoa um apelo, mais uma vez propositadamente deturpado para que as pessoas deixem dispender tanto tempo em futilidades como a televisão e a internet que importantes que são, não devem ser extrapoladas ou glorificadas e as suas criações idolatradas como hoje vemos.
Chegados que somos atão ao âmago do longo texto de hoje, na sua primeira celebração eucarística Bento XVI fez um apelo contra a «ditadura relativista moral» dos dias de hoje. Sem qualquer novidade os do costume entenderam de forma dolosamente errónea um apelo simples, que no fundo no fundo os seres humanos sabem sempre distinguir o bem do mal e que este julgamento de cada um não deve ser relativizado, ou seja que não devemos deixar questões incidentais ou secundárias toldar o bem relativizando-o de forma a que o que é claro deixe de o ser e o que é escuro ibidem, tornando tudo uma grande zona cinzenta na qual liberdade implica criar regimes de excepção, ou criar na mesma sociedade valorações diferentes conforme a raça, religião, nível económico ou qualquer outra forma de diferenciação entre seres humanos que habitam numa sociedade que deva activamente defender e partilhar os valores comuns de tolerância, amor, respeito ao próprio e liberdade de escolha ou livre arbítrio.
Obviamente não podemos deixar de sublinhar algo que muitos se esquecem ao ouvir a mensagem de qualquer Papa ou membro da Igreja, sublinhamos as palavras do Evangelho de São Mateus que nos dizem que para escutar, entender e partilhar a mensagem é necessário que se abra primeiro o coração a Cristo.
Comemoramos pois um ano de pontificado.
