Colisão
Ontem visionei o filme "Colisão" vencedor do Óscar para o melhor filme. Saudamos a presente moda de realizar produções independentes de drama social ou político mas deixando sempre ao espectador o veredicto final acerca do filme.
Colisão grosso modo trata de dias no quotidiano de diversos personagens em LA, personagens que convergem no mesmo espaço físico e por vezes temporal mas que divergem profundamente sociologiamente, quer seja por motivos económicos ou outros. Propositamente omitimos referências à multiplicidade de raças das diversas personagens e da sua forma de lidar entre estas. A dado momento do filme é dada a noção que a trama e as relações humanas são sempre com base em preconceitos rácicos ou nos já costumeiros contrastes entre brancos e pretos, mexicanos e porto-riquenhos, chineses e persas and so on...
Colisão é interessante pois serve precisamente para iludir a facilidade com que os estereotipos enganam, com que o raça influencia os contactos diários e quotidianos. A dado momento quando tudo é diferenciado com base na raça vislumbramos o génio do filme, o «flik of genious» do filme, a humanidade latente se preferirmos...
E esta é... não que a raça seja o motivo que domine as relações sociais entre diversas pessoas de raças diferentes sim que faz parte da própria humanidade e relacionamento social não como questão predominante e exclusiva mas sim como factor concorrente com outros, nomeadamente a profissão, educação, nível económico e outros. Porventura parecerá confuso ao leitor que não viu o filme mas a "beleza da coisa" é mesmo essa, a negação de um igualitarísmo desumano que ignora precisamente a questões como o preconceito e outros. Estes fazem parte da humanidade de qualquer ser humano e ignorar o mesmo ou reduzir a igualitarismos legais é simplesmente impossível e irrealista.
Em suma, "Colisão" explica que o preconceito é parte da vida, tal como a bondade e os melhores sentimentos que derivam da noção de humanidade e humanismo, por ventura que o ser humano é demasiado simples ou complexo para o ignorar, e que a natureza humana é assim mesmo e que pouco se pode fazer. Os menos preconceituosos caem no preconceito e os mais preconceitusos são tão humanos como os restantes.
Três notas finais para efeitos do presente artigo, humanidade é uma manifestação do humanismo e no nosso caso cristão já que é a nossa matriz cultural, segundo que mal está em dizer negro em vez de preto, já que a palavra negro deriva dos negreiros, traficantes de escravos, sendo muito mais correcto preto por dicotomia a branco, amarelo ou vermelho. Terceiro e último e em resposta ao douto AOC que pouco importa saber dos bombeiros ou seu número já que o resultado final será sempre o mesmo, floresta ardida, populações em pânico, frenesi mediático e bombeiros a culparem-se reciprocamente ou ao Estado pela já costumeira falta de meios ou outra porcaria qualquer que permita a todos e mais alguns eximirem-se de culpas.
Nota final propõe-se aos leitores que vejam "Colisão" e formem a sua opinião. É o mais humano, já que dimensão fundamental do humanismo é precisamente a liberdade de opinião e o livre arbítrio.
Poste-se!
