Faltava bater nos deputados.
Essa classe de gente tão evoluida, que tem tempo para estudar os problemas, questionar e fiscalizar as pessoas que nos governam, de as encostar contra a parede, e ainda apresentar os projectos legislativos com vista a alterar as bases em que se fundamenta a nossa vida, resolveram baldar-se.
Quer dizer, não foi propriamente baldar-se... foi mais... como ei de explicar... esticar ainda mais um fim de semana mais comprido.
No fundo foi o exercício tão português e que apenas um engenheiro consegue plenamente exercitar que é "Ora bem, já agora que temos feriado na 6ª feira e 5ª à tarde é ponte, não vale a pena aparecer na AR na 4ª feira... e que tal a semana toda?? AH! isso era entigamente (conforme confessado pelo vice presidente da AR Guilherme Silva (PSD) e por um ex-vice presidente Narana Coissoró(CDS))".
Isso de trabalhar é para os privados, porque a função pública tem direito a férias no meio da semana, e os deputados, que deveriam dar o exemplo ao país ( e não à função pública) resolvem fazer ainda pior.
Procurar justificar isso é assaz lamentável. Vir dizer que antigamente não se trabalhava na semana santa, que as votações ocorrem à 5ª feira, e sempre às 6 da tarde apenas vem agravar o problema.
Pergunta. Quantos deputados teriam aparecido na quinta feira às 6 da tarde?
Faço minhas as palavras de Paulo Portas, excepto quanto à conclusão. Estado Laico, Semana de trabalho. Quinta feira de trabalho, votações às horas normais, com os deputados presentes. Será que é assim tão dificil sairem dos gabinetes e irem votar durante 30minutos?
Agora que o mal está feito, o mínimo que se deveria fazer era obrigar os deputados que faltaram (sem razões que não sejam as normais, como morte, casamento ou nascimento de filho, ou doença, ou em representação na AR) a abdicar do salário daquele dia.
Estão na Comissão, ou no gabinete a estudar ou preparar intervenções. Param. Votam. E voltam a trabalhar.
De facto deve ser extenuante...
P.S. Paulo Portas que me desculpe mas nenhum compromisso que ele tenha na Embaixada pode ser mais importante do que uma votação no orgão para o qual ele foi eleito, excepto se ele se encontrava em representação da AR, o que não parece ser o caso. Tapar o sol com a peneira, tentando justificar o injustificável, apenas o prejudica perante a opinião pública.