Exemplos...
« A casa pinga sempre pelo tecto»
Provérbio Vietnamita
Aproveitando a passagem da marreta dada pelo egrégio doutor AOC voltamos a um tema que permite demagogias sempre fáceis e pungentes. Vamos a isso atão, o episódio das faltas dos deputados da AR.
Entenderam os deputados gozar um diazinho de descanso indo de aproveitando a 5ª Feira por inteiro.
Ahh gente sábia e de bons costumes e moral, de facto quando o exemplo é este o que mais se pode dizer. A situação per si é já suficientemente estúpida contudo quando pensamos que mais baixo não se pode descer eis que vêm ao de cima o maior vício de que padecem os 230 inúteis que servem de espectro e de exemplo a um país, a falta de vergonha.
Que os cretinos dos deputados não estejam presentes 8 horas por dia no hemiciclo ainda entendo e agradeço pois caso se discutissem todos os dias 8 horas incessantemente na AR viria ainda mais ao de cima a pobreza institucional já é sabida. A falta de vergonha a que nos referimos é a de certos deputados irem assinar o ponto e depois ir... fazer política para qualquer outro lado.
Tal comportamento é no mínimo desonesto e é mais uma das costumeiras gozações diárias a que somos submetidos aquando vistas certas actuações dos que se alimentam à custa do erário público. Continuando, na terra onde o rei vai nú, a reacção é a já costumeira puritana do PS que doravante obrigará os deputados a estarem sempre presente, a justificarem-se por escrito nas ausências e etc e tal à grunhesca reacção do Nuno Mello do CDS que diz que o regimento da AR não pode ser alterado« por conta de incidentes mediáticos»
O sr. Nuno Melo, figura a quem aprazem prédicas moralistas mostra a sua verdadeira fibra, o que aconteceu em S.Bento foi uma vergonha desonesta e escandalosa, não uma inventona das já de si costumeiras da classe jornalística. Concordo plenamente com os jornalistas que não só deveriam aproveitar este incidente mas também outros que exponham a hipocrisia reinante de uma classe profissional, na mais pejorativa acepção possivel que não se julga apenas acima da lei mas também e mais grave acima da moral e da censura pública. Ora com tamanho exemplo de cima não admira que "chova dentro da casa" que é a função pública.
Provavelmente depois de umas semanas de zelo inaudito, de afincadas presenças no hemiciclo para discussão de importantes peças legislativas como o transporte de criancinhas, ou outra porcaria qualquer voltaremos aos costumes relaxados e atabalhoados de sempre, afinal de contas vêm aí o Mundial e depois daí ás férias de Verão é um tirinho, la para Setembro volta-se ao trabalho pois afinal de contas o Verão é para gozar...
Aí saudosos tempos do Professor Salazar durante os quais, não obstante as diversas maleitas públicas, umas conhecidas, outras exageradas, a vergonha ainda era uma maleita pública e as pessias tinham algum pudor com comportamentos como estes. Alias evocando esses tempos os imberbes que frequentavam a Camara Corporativa e a Assembleia Nacional que funcionava por uns meses ao longo do ano não eram nem políticos da Assembleia a tempo inteiro, nem recebiam o mesmo principesco salário e regalias que os de hoje recebem, mas bem que assavam o rabo em S.Bento.
Não guardo rancor contudo, mesmo trabalhando 5a feira até á última hora do meu horário, afinal de contas há muito que conhecemos os asnos que pululam por S.Bento, os seus percursos, aspirações e carreira.
Por demais então não nos cansamos de repetir: «A casa pinga sempre pelo tecto»
