All win cenario???
Carmona Rodrigues ao optar pela táctica do cerco face ao rodopio de diligências processuais está a fazer o jogo do PS em Lisboa e do que se encontra montado no Governo da Nação.
Primeiro Facto, há indícios suficientemente graves que justificam que a vereadora do Urbanismo (eterno pecadilho), tenha suspendido o seu mandato por 8 meses, prazo previsto para a duração do inquérito judicial.
Em segundo lugar, foram tornados públicos elementos que denotam cumplicidades para além do normalmente aceite entre autarcas, directores municipais e construtores civis.
Alegadamente, a Bragaparques terá tentado corromper um outro vereador pela módica soma de €80.000(pais mixuruca) à viabilização de determinados empreendimentos, ou pelo menos em troca de uma postura menos agitadora quanto a estes. É ainda sabido que as negociatas camarárias de Lisboa e de todo o pais são águas turvas, nas quais nadam os caciques, vulgo os broncos das concelhias, e que fazem das Câmaras o seu feudo privado e do pais seu caixote do lixo.
Não é de menos salientar que como todos os inquéritos mediáticos, começando surriadas de canhão acabam encalhados no labirinto judiciário que se erge cada vez que um advogado à séria começa a esquadrinhar com olhos de ver os diferentes diplomas legislativos aplicáveis, o seu confronto com a prática e o trabalho dos diversos intervenientes que participam nos inquéritos judiciais. Mais ainda em Portugal pode-se ser arguido por dá cá aquela palha, e até a pedido do próprio.
Conhecendo contudo os vícios e as praxes dos nativos o inquérito na Câmara de Lisboa irá prolongar-se por muitíssimo tempo e terminará, lá para o ano 2011 ou assim num julgamento com centenas de sessões ou algo do género.
Se a fibra de uma nação se visse na salubridade da sua vida pública, então Portugal é o meio caminho entre um Gulag estalinista e um campo de concentração hitleriano, sempre claro na perspectiva do utilizador.
Os mais cépticos até já se habituaram, a pergunta que interessa em negócios com as Câmaras é sempre quem come quanto?
Nas boas comem todos os do Centrão, nas más só o partido do presidente, nas abaixo de cão, come o presidente e sua entourage e um ou dois vereadores da oposição que se abstem ou dão o seu voto. O povo comenta em surdina, olha aquele, vê o outro, era pobre quando chegou à Câmara e agora têm aquele Palácio ou outra coisa qualquer, brega à 15ª potência pois claro.
E em bom rigor nada mais faz, alternando o seu enfado e agastamento com ainda melhores comentários como «se la estivesse fazia o mesmo». Assim vai a moralidade, outros, os zelotas dizem são todos uns bandidos e uns corruptos, este pais precisava era de um Salazar em cada esquina, outros dizem, aahhh os comunistas e os bloquistas esses é que são amigos do povo. Outros ainda nos píncaros das suas cátedras afirmam princípios de direito penal e outras coisas, obviamente quando lhes convém. Os jornalistas escarafuncham abundantemente no puído lago que é a vida pública portuguesa.
Caindo na real, na minha opinião Carmona, se é independente, tecnocrata e aquele pacote de vacuidades com que se fez vender só têm uma solução eleições antecipadas, o PS está de rastos o resto não conta pro campeonato.
E o que faz o independente professor?
Agarra-se, como uma lapa, independente em todo o caso, à rocha, quem ganha, todos os outros, menos os munícipes. A mácula está feita e só se limpa com eleições que, síndroma do estado catatónico deste pais não dissipam ambiente nenhum, nem o clarificam, pelo contrário, agastam somente a imagem dos políticos para enfado colectivo.
Quem ganha neste caso é o eng. Sócrates, havendo apito dourado e CML não se discutem outras coisas como a incapacidade governativa de suster o monstro. Melhor ainda contudo, o cenário de eleições em Lisboa introduz um elemento adicional de instabilidade contra o PSD e Marques Mendes, obriga-o a estar na defensiva e a sair em defesa da sua escolha que se encontra tocada pela corrupção. É um all win cenario?
Sócrates entende que Lisboa é Portugal, agitar em Lisboa e atacar Mendes no seu ponto mais forte, é praticar uma guerra de erosão e ainda mais é colocar o PSD e seu líder na defensiva.
A teia de Sócrates está bem urdida, ademais porque conhecendo os partidos do centrão, qual é o partido dos do "tacho" que convoca eleições antecipadas antes do final da primeira metade do mandato?
Nenhum, o prego-mestre de Mendes está colocado, a demissão não irá suceder, salvo se Carmona for implicado, arrastando o líder do PSD para o fosso. É portanto um imperativo que CArmona se demita e convoque eleições antecipadas, só assim se poderá afastar esta mácula que não parará de alastrar até ao final do mandato. Os abutres já rodeiam a caravana e não pararam até que haja sangue.
Um elogio a Sócrates, aplica uma táctica fenomenalmente simples e parecida com a de Zapatero isto é a de governar paulatinamente contra o líder do partido alternante. Zás nos olhos! A "crise"(soundbite número 423 da vida política portuguesa) serve aqueles a quem não toca, e o estado putrefacto do PS Lisboa não afecta Sócrates, alias o pior cenário é este para as hostes do PSD, a Mendes interessariam eleições sem dúvida, é uma cartada de risco, mas a aposta do independente Carmona também. O fenómeno de corrupção que parece ser a cruzada de Mendes necessita de posições claras e inequívocas, eleições em Lisboa significam hipoteticamente o primeiro embalo para as legislativas futuras, sendo o melhor contra ataque. Mas também o menos provavel.
Digam que sim e que não, as presunções de inocência e o "diabo a quatro" como diz o povo, o certo é que a mácula ninguém a limpa e esta alastra.
O resto são peanuts.!
O munícipe de Lisboa esse... não é para aqui chamado.
