Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Cada cavadela, cada minhoca!

Desconheço os contornos do caso do Parque Mayer da Câmara de Lisboa e dos terrenos da feira popular, parece contudo que estalou uma bomba na edilidade lisboeta, com arguidos, buscas e cenário de crise. A palavra crise é cliché pois é consabido que Portugal está em crise há pelo menos 900, excepto a breve sentelha que foi o reinado de D. João II.

Não é de menos verdade que cada negócio, cada permuta, cada projecto de interesse público de maior dimensão acolhe sempre suspeições, arguidos e a já sabida relação de cumplicidade entre empreiteiros e autarcas. Estranho não, qualquer negóciozinho de alguns milhões de euros conseguir sempre não ser transparente, claro e acima de suspeita. Curioso como as promiscuidades descambam em abuso e nepotismo, como os contornos são sempre os mesmos, as escutas telefónicas e os sms's com, ´«atão pá...», «vemo-nos aonde pá», «gostaram da estadia e do jantar pá»... O mar de «pás» é síndroma da pequenez nacional, a intimidade e o nacional porreirismo que mistura os «pás» com outra figura de estilo engraçada que é «oh dr.». Pois para rir só...

Em Portugal é considerado normal tratar-se o autarca por pá, ter um juiz amigo que mexa uns cordelinhos (caso de Felgueiras), um empreiteiro simpático que oferece jantaradas bem regadas e muitas vezes a sobremesa também etc... Tudo isto em troca de um favorzinho, uma licença, a aprovação de um plano, uma adjudicação, uma permuta etc... O dinheiro esse não deixa rasto salvo em certos casos e portanto não vamos por aí, contudo como pode ser visto com normalidade serem políticos apanhados com malas cheias de notas, escutas telefónicas que ultrapassam tudo o que é expectavel em relacionamentos institucionais etc...

Só em Portugal, talvez, contudo o que me deixa ainda mais decepcionado é o amadorismo dos «pás» e a pequenez dos nossos «corruptos» que em 5 anos como diz o Dr. Jardim, passam a ricos, dedicando-se somente à política, isto com a maior impunidade dos tempos e até o beneplácito de um sistema de justiça que serve somente para condenar os desgraçados que não dispõe de dinheiro para um advogado ou simplesmente cometem crimes gravíssimos como roubar autorádios, cometer trafico de drogas de doses absurdas etc... Infelizmente não serve mesmo para mais nada o sistema de justiça além de manter uma paz social podre, decrépita e amoral até ao seu âmago. É uma realidade que qualquer processo que pela sua natureza ou qualidade dos intervenientes assuma alguma complexidade, barra de imediato no labirinto jurídico criado por hábeis advogados e leis esburacadas, recursos múltiplos, complexos e delongados trâmites... Quantos casos à seria de corrupção foram desvendados nos últimos anos e quantas condenações se conseguiram? Diram houve um julgamento justo e foram absolvidos ou condenados a sentenças absurdas, algo não baterá certo acrescento eu...

Alias, terminando, este pais não bate certo...É um facto...