O fundo da questão
Ao longo dos últimos dias, notícias tem sido veiculadas pelos orgãos de comunicação social (Expresso e Sol à cabeça) que tem como único objectivo vangloriar o governo, como força renovadora e reformista da sociedade portuguesa. É claro que não são apenas estes dois marcos da democracia jornalística portuguesa que o têm feito, mas relativamente a jornais ou televisões diárias e mundanas, a minha reacção é nula.
No entanto, e uma vez que muitas notícias aconteceram desde a última vez que postei neste bonito espaço de liberdade, um denominador comum renasceu da análise:
O fundo da questão.
Expressão utilizada por todos, inclusivamente aqueles a quem o fundo das questões não dá rigorosamente jeito nenhum, o fundo da questão é algo subjectivo. O que é o fundo para um pode ser a tona para outros... e é isso que se passa na sociedade portuguesa.
Ao ver as notícias e ao falar com amigos (até co-blogueres), chego à conclusão que este país não progride, não evolui, não avança porque não existe o trabalho de casa em chegar ao fundo das questões. Fica-se pela rama... alguns pequenos exemplos.
1. Declarações do Papa relativamente à religião muçulmana.
Quantos defenderam ou sequer tentaram perceber a opinião expressa pelo papa? Sem dogmas laicos ou agnósticos? Sem visões de esquerda quanto a uma opinião religiosa?
Nos partidos políticos portugueses ( e até europeu) ninguém. Do partido do governo e PSD um silêncio ruidoso. Dos restantes é melhor nem falar... a vulgaridade e os disparates são demasiados.
2. Abortos nos hospitais públicos
Ministro lança a atoarda. PM diz que apoia o aborto. Eu pergunto... alguém já pensou em saber se, partindo do pressuposto que a despenalização vence o próximo referendo, não existirão médicos para os fazer, uma vez que a taxa de objectores de consciência roda os 80%?
3. Finanças Locais. Ministérios da Saude e da Educação. Retirar cegamente 15% do financiamento.
Eu nem digo que devam ou não existir cortes nas mencionadas áreas. A minha pergunta é obviamente anterior. O que devem fazer estas entidades? Quais as suas verdadeiras competências? O dinheiro ora transferido chega? Ou é demasiado?
Dizer que cortar é em si mesmo bom, não me parece ser sério nem responder ao problema em análise. Se o ministério da saúde tem de médicos a menos, enfermeiros a menos, dívidas brutais às farmácias e um sistema em perda por base, não me parece que o problema resida do dinheiro (muito ou pouco) que para lá transferimos. O problema está naquilo que queremos que este serviço seja... algo que se veja ou algo para dizer que se têm.
Voltarei a este ponto proximamente.
