Zelotas e Fariseus!
Parece que uma inteligência qualquer se lembrou de fazer um estudo relacionando o copianço dos estudantes com a corrupção de cada país na União Europeia. Genial! Sublime! Espetáculo!
A comunicação social cá da terra prontamente se apressou a entrevistar petizes e "meninolas" que se encontram em preparação para os exames de final de ano. Parece que os estudantes cá da terra copiam em bom número, ao mesmo tempo tempo que grassa a corrupção por entre serviços e repartições públicas. O gajo que se lembrou de associar um crime gravíssimo com as vulgarmente designadas cábulas é um génio.
Arrepia-me só de pensar na teoria, parece que o mentecapto de serviço decidiu ressuscitar as teorias da criminologia do século XIX , segundo as quais os indivíduos nascem ou demonstram desde pueril idade inclinações criminosas. Para além da estupidez intrinseca, somos confrontados com uma taxa de potenciais delinquentes na ordem dos 66% de entre os jovens. Pena é somente que não existam tantos empregos nas camaras municipais para absorver o elevado número de jovens talentos.
A conduta criminosa está associada ás cábulas dos jovens. É idiota demais a associação, por demais aspectos, em primeiro lugar já que quem copia têm medo de ser apanhado e uma vergonha endémica de o fazer, uma coisa é sem pejo admitir numa sondagem que se copia, outra é durante um exame nacional ou outros piores "sacar" da bela da glosa e copiar a trouxo mocho e sem vergonha na cara. O resultado é já conhecido, consequente anulação da prova e demais chatices a isso inerentes. Ao invés o corrupto, seja nas câmaras seja nos ministérios não têm qualquer pejo nem vergonha, vejam-se os casos dos edis sobejamente conhecidos ou o DN de hoje acerca de negócios envolvendo a Câmara de Gondomar e parentes do seu presidente.
Segundo uma coisa é uma cábula outra é ser corrupto, contudo o silogismo e associação de ideias são básicas ou seja, o cábula será corrupto e vice versa.
Há indicadores que permitem demonstrar desde cedo a corrupção na sociedade ou nos jovens, basta estes terem o feedback dos seus pais em como arranjaram o emprego na repartição pública, na câmara, seja como se consegiu aprovar as obras da casa, ou o fiscal do gás, eletricidade ou outro serviço qualquer, bem como como se safou o paizinho ou maezinha da multinha de trânsito ou outra coisa qualquer. Lamentavelmente para alguns zelotas, o copianço não implica corrupção, sãop ambos coisas distintas, uma é prover de meios para ajudar ao estudo já que como é sobejamente conhecido cábulas sem estudo de pouco servem, outra é um modo de vida e uma forma de vivência comunitária. O favorzinho, o conhecimento, a ajudinha, a cunha, são essas formas criminosas e eticamente reprováveis de estar em sociedade. As cábulas são só cábulas, ninguém vai muito longe somente como cábula, outra coisa é fazer vida e carreira enquanto corrupto, sem medo ou temor da justiça, com um à vontade que se conhecem a certas figuras públicas ou ditadores de repartição.
Obviamente que para os zelotas do costume não têm massa crítica para destrinçar ambas as coisas, não defendemos o cabulanço como modo de prosperar ou fazer estudos contudo não podemos deixar de salutar uma dose saudável do mesmo enquanto parte de uma aprendizagem, outra coisa é à custa da causa pública e dos interesses dos cidadãos fazer carreira e prosperar recebendo subornos de forma a prosperar e viver. Enfim tudo no mesmo saco é próprio dos intransigentes e dos intolerantes que sem mácula julgam viver. Numa palavra fariseus ou zelotas.
