Fiat Lux!
Fiat Lux(faça-se luz)!
Parece que a esfinge acordou da sua longa hibernação depressiva, o ciclo mudou e as coisas vão de vento em popa! O país voltou á convergência europeia e este ano vamos crescer mais de 1%. Os sacrifícios não são em vão como diz o J. Coelho e o ciclo mudou, nova confiança com o endosso do Comissário europeu para as finanças. Só faltava o Constâncio vir dar bençãos ao caminho seguido pois afinal as coisas estão a melhorar e finalmente o pântano está a chegar ao fim.
Tratar isto como boas notícias é absurdo e idiótico é ademais nocivo, conhecendo-se os hábitos descontraídos dos nativos. Já se sabe que o equilíbrio emocional dos autócones não suporta grande sofisticação, passando do discurso retrógada e de que algo vai mal e que os serviços não funcionam etc... e tal, as carpidações já conhecidas com direitos sociais e adquiridos à mistura para estados febris de emoçãop, com bandeiras nas janelas e sentimentos de superioridade absurdos lembrando personagens de Querosianas como o França ou o Padre Amaro e o Conde de Ribamar.
Deixando o delírio Queiroziano para o final apenas lamentamos que por aqui as hostes se alegrem com crescimentos de 1% ao ano, que provavelmente não têm em conta o encerramento da Opel na Azambuja responsável por 0,6% do PIB segundo a imprensa especializada. è motivo de júbilo também a previ~são de cumprimento do deficit, orçado em 4.6%! De facto só mesmo neste terceiro mundo em que como já se sabe a vergonha é bem escasso é que um ministro das Finanças rejubila com a possibilidade de cumprir o plano orçamental. Nós por cá esperamos pelo final do ano e com a cosmética orçamental já costumeira, especialmente depois das "novidades" de ontem que implicam um aafrouxar do cinto....
Grande evento e motivo de celebração é também o facto de em 2008 o deficit estar contido a limites permitidos pela UE, ou seja inferior a 3%, ou seja na melhor das hipóteses aquela data como hoje, como ontem e como sempre podemos adiantar o despesista Estado continuará a gastar mais 3% do que o que têm, se aliarmos isto á já conhecida sub-orçamentação e demais expedientes fiscais podemos sim ver a Luz que alumeia o caminho, este escuro aquela fátua, podemos antecipar somente a facilidade com que eventos imprevisíveis poderam alterar as previsões económicas que suportam as estimativas do Governo.
O Júbilo devia dar lugar a vergonha e a "comezaina" satisfaçãozinha por não estarmos como dizia P.Pereira a afundarmo-nos tão depressa como o previsto demonstra somente os horizontes a vista do presente Executivo, dos anteriores e em geral da Camarilha que nos governa e sorve alegremente os nossos impostos....
Continuando e com promessa de tratarmos isto com maior detalhe, o presente Governo que de compromissos eleitorais pouco ou nada respeitou em relação ao seu programa eleitoral deveria sim numa tirada lúcida propor aos portugueses e à oosição responsável uma estratégia de 10 ou 20 anos ou seja, compromisso com o estado social mas com inerentes diminuições e acertos. È errada desde o dia 1 a política de encapotados acertos que não passamd e paliativos que causam mal estar e são transitórios. Responsabilizar não só o Governo mas também as forças construtivas da oposição (ahahahahhahahahahahahaahahhaahahhahahahah contradição nos termos) num compromisso nacional de Estado Social menor e menos ambicioso mas mais eficiente e humano de forma a possibilitar bons serviços a quem deles precisa em vez de criar um chapeu de chuva que pinga mais do que protege com o acréscimo de ser pago por quem dele não usufrui.
Voltando somente ao personagens Queirozianos, recomenda-se a leitura do último capítulo de "O crime do Padre Amaro" se Eça é mordaz naquelas linhas este suplanta-se... A propósito das revoltas em Paris em 1871, propaladas pela Guerra Franco Prussiana e Cerco de Paris, um evento comparável talvez a uma entrada em Roma pelos Bárbaros, um personagem, dos vários que pululavam pelo Chiado diz a respeito de Proudhon, que esse indivíduo poderia pilhar e espalhar o Terror por Paris com suas ideias socialistas revolucionárias mas que contudo no Chiado em caso algum o faria pois o França racharia o mesmo em dois ou em três, continuando o insigne escritor, é que o França «depois do cognac era mesmo mau». É nestes delírios que vivemos e viveremos enquanto a classe política deste país entender que do alto dos seus magistérios promanam luz à malta cá de baixo!
