Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

terça-feira, julho 04, 2006

Poderosos!

Parece que o grande repositório intelectual popular dos sábados publicou na sua revista um artigo no qual constavam os 20 mais poderosos do país. Obviamente as figurinhas não se demonstraram trsites, participando muitas delas com um sorriso ao mesmo tempo que posavam para uma foto. Enfim as repúblicas têm disto, mas esse tema não é para aqui chamado. Parece que as sumas intelectualidades resolveram posar para a foto como os 20 mais poderosos. LAmento profundamente se o patriarca da minha Igreja em Portugal decidiu participar na procissão dos tristes, lamento ainda mais se o fez posando à civil não envergando sequer as vestes cardinalícias, bem lamento que em qualquer jornal de país civilizado se publique um artigo com os 20 mais poderosos e os mesmos colaborem...

Vamos por partes, o artigo era imbecílico, lamento contudo que os 20 poderosos tenham contribuido para isso ademais se conheciam as suas posições no respectivo ranking... De uma lealdade canina o PR posou depois do 1º Ministro quando a hierarquia das figuras de estado diz em contrário o que per si é já espantosamente revelador das cabeças que o fizeram. Continuando, o desplante que é publicar um artigo dos 20 mais poderosos no qual os tristes notáveis partciparam revela o estado putrefacto do sistema em que vivemos, ora se se impõe dignidade, humildade e decoro aos titulares das funções públicas, aos empresários sérios impõe-se descrição e não alardear pela terra o seu poder. Igualmente o mesmo se impõe ao Patriarca da maior confissão religiosa nacional bem como a demais pessoas que se tenham por sérias ou assim se queiram tomar. Obviamente numa prédica elogiosa o Dr. Balsemão não poderia faltar, bem como o omnipresente e omniciente professor marcelo que no intervalo das suas três horas de sono, de foruns de futebol, aulas de direito e demais coisas ainda dá uma perninha aos jornalistas do Expresso.

A natureza do artigo é nauseabunda ou seja a de dar um rankingo dos mais poderosos, mas poderosos de quê? A palavra poder inspira respeito e discrição, o poder é algo que se sente e não se vê, algo efémero, viciante e intoxicante, poder têm muitos sentidos, desde um bom a um mau, por exemplo se eu disser que o Major Valentim ou a Fatinha são poderosos quero dizer uma coisa se disser que o Dr. Balsemão é poderoso outra. Seja como for poderoso porque? Pelo dinheiro, pelo cargo, pelo papel social, pelo papel de mecenas, guia espiritual o q~uÊ? Lamentavelmente nenhum critério foi adiantado cabendo somente um acotovelamento entre as diversas funções ou estatutos sociais, nos os não poderosos claro somos testemunha de tamanha procissão de astros celestes, com estatuto de poderosos, uma classe priviligiada, uma nobreza entre o povo etc e tal. Ora vivessemos numa Monarquia e certamente haveria mais pudor, ora como vivemos na República do Zé Sócrtes e do Ti Anibal o pagode é outro, para eles é um avnanço social acotovelarem-se entre os do poder económico ou espiritual.

Obviamente que numa sociedade onde a crítica é a la carte e de motivação sempre duvidosa o que podemos esperar é a aclamatória subserviencia dos jornalistas, esse grande poder independente que não apenas hesitou em colocar o próprio patrão em 5º lugar... Enfim cambada de tristes, os poderosos e os não poderosos, quem é sério e importante não aparece em revistas intitulando-se ou deixando-se coroar por jornalistas pé de chinelo ou patrões dos media, quem é poderoso no sentido que interessa, ou seja não o maior capitalista no pior sentido, o maior dos media ou o maior" comentadeiro" do país têm discrição e respeito por si em primeiro lugar e em segundo lugar por quem têm dois dedos de testa neste país. Serve o artigo para mais coisa menos coisa escarrapachar ai os senhores do sistema (por ora) aquela rede de compromissos e cambalachos, a teia de influências, os que navegham sobre o lodo, os que tiram massa do sistema e que sendo os seus primeiros clientes, os que cortam o bolo, o poder político, o que alimenta as camarilhas partidárias, filhos e os enteados, os funcionários públicos que de quando em vez em troca de uma vida ociosa devem fazer os sacrifícios, os empresários multi milionários que à custa do retalho, de baixos salários conseguem enriquecer ao mesmo tempo que à primeira ameaça de maior rigor ou de também suportar um fardo menor ameaçam com deslocalizações.

Eles estão lá, alguns, nem todos aqueles a quem o marasmo, o continuar tudo como antes o país pobre e retrasado, como hoje, como há 100 anos como há 200, desta vez em nome de democracias ou estados de direito, há 100 anos em nome de sua majestade e do rotativismo, em '74 em nome do povo operário, terá isto volta algum dia!?