Os funcionários do Monstro
Em tempos, um reputado economista e anterior primeiro ministro de um país, escreveu um artigo de jornal. "O Monstro", assim se chamava.
Era um artigo metafórico, que chamava a atenção dos políticos com responsabilidades na altura, para o crescimento exacerbado do Estado. Os funcionários públicos excessivos e desnecessários alocados nos mais diversos institutos públicos. AH... e as Camaras Municipais e regiões autónomas. Sorvedouros de dinheiro do erário público que apenas serviam, nas palavras desse reputado ex-primeiro ministro, para construir poli-desportivos em freguesias com 20 habitantes.
Entretanto, já mudamos de governo duas vezes, e o ex PM e economista chegou a Presidente da Republica. Mas ao contrário de atacar os problemas que o colocaram nessa posição, optou pela Inclusão e pela luta pela pobreza e a aprovação da lei de procriação medicamente assistida (lei inconstitucional e aprovada quando existiam 80.000 assinaturas que pediam um referendo sobre a questão).
Ou seja, temos um PR que se esqueceu dos tempos do Monstro.
E esqueceu-se porquê ?
Em primeiro lugar, porque o Monstro anda aí (qual Santana Lopes). Todos os dias engorda mais um pouquinho, com mais gente a entrar e menos gente a sair (até porque depois do que fizeram no calculo das pensões toda a gente ficou a perder dinheiro). A teoria de Sócrates na campanha eleitoral (1 por 2) há muito foi esquecida, e o Estado já tem mais 10.000 funcionários públicos do que tinha.
E para quê? Para fazerem o quê?
O esforço meritório e essencial de desburocratizar o Estado e torná-lo amigo das novas tecnologias é oposto à contratação de mais funcionários públicos. Se é preciso menos papel é preciso menos gente. Aritmética simples!
O Ministro das Finanças ao anunciar com gáudio, que o Estado tem cerca de 580 mil funcionários está a ser cruel. Dizer que com a mobilidade dos mesmos e a lista dos supra numerários o Estado vai emagrecer é pura demagogia. Vai mais uma vez prejudicar a sociedade.
Como é possivel manter na folha de pagamentos do Estado pessoas que eram professores e que vão preencher fichas para Freixo de Espada à Cinta? Ganhando perto de 50% menos do que ganhavam? Não é isto votá-las ao abandono?
Não seria mais sério tentar rescindir os contratos dos funcionários públicos mais velhos (que todos conhecemos de idas aos ditos institutos ou ministérios) e fazer uma real acepção de que funcionários são efetivamente precisos?
Mas, o que diz o nosso PR relativamente a esta questão?
Nada. Continua sem falar, sem pressionar o Governo a tomar as acções (impopulares) que tem de tomar, sem promover a reforma da Constituição, base eleitoral da sua eleição e instrumento fundamental para o nosso progresso.
O monstro está aí, e o seu tratador também.
Cuidado.
P.S. Façam um exercício. Entrem neste site e deliciem-se com os institutos públicos existentes em Portugal.
Digam o que era preciso ser feito...
