Barcelona, Catalunha, Estatuto....
Em dia de febril animação futebolistica, aproveitamos o mesmo para falar da Catalunha, não dos seus clubes, seus assombrosos futebolistas que hoje seram travados pelo engenho e arte luso (esperemos), mas sim da recente turbação causada pela aprovação do Estatuto Catalão. A análise ontem feita por Paulo Portas em o Estado da Arte foi precisa e equilibrada, o homem não perdeu os seus talentos com uma passagem pela defesa, muito antes pelo contrário apurou-os e refinou-os, acreditamos piamente que PP regressará à política a medio prazo com ou sem africanização do CDS devemos lembrar ao Gungunhana do Ribeiro e Castro que o Mouzinho da Silveira correu com ele do mapa noutros tempos. Prometendo voltar a esse assunto com mais tempo migremos então ao estatuto catalão.
Somos da opinião de PP que não serve os interesses de estado portugueses a secessão da Catalunha ou de qualquer outra Região de Espanha. Motivos, vários PP salientou que interessa a Portugal ser visto como o outro Estado da Península com a sua vocação específica, constituida a Península Ibérica por dois Estados soberanos e independentes para os que a observam por fora um processo de balcanização da mesma só seria prejudical para Portugal já que seria visto numa amálgama de pequenos paises independentes em detrimento de ser o outro estado. Adiantamos que a projecção de Espanha não é desfavorável em Portugal por dois motivos, primeiro por nos obrigar a tentar dentro de nossas limitações a acompanhar os vizinhos , especialmente no crescimento económico e desenvolvimento. Afinal de contas parece que a mesquinha inveja nacional poderá ser aproveitada para propósitos positivos. Por outro lado, uma Espanha forte obrigará as restantes potencias a buscarem aliados para uma contenção da esfera de influência espanhola. Portugal como vizinho territorial estará numa posição óptima para buscar apoios nas potencias que se sintam melindradas pelo crescimento potencial português, neste caso leia-se especialmente a Inglaterra (questão de Gibraltar e controlo das entradas no mediterrâneo), a França e a Itália, média potência a ser ultrapassada pela Espanha a breve trecho...Obviamente que esta lógica classica de avaliação de poder se encontra mitigada pela inserção comunitária e por a Europa não ser a do século XIX mas sim a do século XX em que os EUA são a primeira potência, mudando assim as tradicionais regras de equilibrio de poderes dos séculos anteriores.
Continuando não interessa uma Espanha fragmentada já que como o demonstram os indicadores económicos não interessa trazer turbação social e política ao nosso principal mercado de exportação e parceiro económico, quer se goste quer não.
O estatuto catalão encerra em si três caracteres que per si permitem avaliar a sua prejudicialidade e o grosso erro político que representa a longo prazo para a Espanha, a consagração de uma Nação Catalã, a prevalência do catalão sobre o castelhano e uma espécie de "I wan my money back policy" em relação aos investimentos. Por partes;
(i) Nação Catalã- a ideia de nação implica uma comunidade cultural, uma identidade comum cultural e um património histórico comum, nação não implica independência leia-se mas abre uma porta para afirmar uma especialidade supra regional entre a Catalunha e o resto de Espanha que poderá intoxicar-se com fumos nacionalistas e independentistas. Conhecem-se os males excessivos do nacionalismo, na ex Jugoslávia e noutros locais na Europa, as sementes da violência terrorista encontram-se em plena germinação, será na minha opinião somente uma questão de tempo até que venham a público sob a forma de um grupúsculo nacionalista e terrorista em moldes de ETA ou assim... è de lógica indiscutível que a Catalunha é uma nação mas infelizmente a subtileza do seu conceito para o Zé da rua não será por inteiro entendida...
(ii)Prevalência do catalão sobre o castelhano ao acesso na função pública é outro precendente independentista e pouco salutar, note-se que prevalência implica prevalecer sobre, sendo assim uma relação de hierarquia entre ambas, o catalão sobre o espanhol, os nativos sobre os outros, os falantes do dialecto regional sobre os demais nacionais, temo que não seja de alimentar este género de preferências especialmente se vistos os seus efeitos a longo prazo.
(iii)coesão territorial, o estatuto catalão consagra que aos montantes para os quais a catalunha contribua para o orçamento de estado espanhol deve corresponder igual investimento, ou seja, o que a catalunha paga para quer de volta. O princípio parece-me pouco solidário e cristão condenando assim as regiões que são pobres a continuarem a ser pobres, vilipendiando um princípio essencial em qualquer país, dentro dos devidos limites, o da solidariedade nacional entre o povo de um mesmo país, nestes termos a Catalunha continuará a ser rica, a Andaluzia e outras sob a mesma lógica a ser pobre. Para além de não acharmos ser esta a via para o desenvolvimento de harmonioso de qualquer país chama-mos a atenção às suas consequências para a coesão nacional e territorial num país que como o nosso têm fortes assimetrias.
O post já vai longo mas terminando somente sublinhando que a proposta do Sr. Zapata é mais uma das suas asneiras, com a agravante de ser uma com consequências bastante nefastas para Espanha enquanto projecto nacional de país.
Ahh e já me esquecia, força SLB, boa sorte pra logo.

Gosto sinceramente das apreciações do dml sobre a vida política do CDS...
Só não pecebo a comparação JRC/Gungunhana... já agora quem será o Mouzinho da Silveira?
Telmo "frouxo" Correia?
Nuno "playboy" Melo?
Ou será que o Pires de Lima, agora que está desocupado e tem, finalmente, tempo para o partido, vai-se dignar a vir à luta??
Ou será que neste congreso vão mandar apenas mais uma lebre para cansar os "cães" e vão continuar todos descansados no parlamento até 2008???
Enfim, cenas dos próximos (tristes) episódios...
2:40 p.m.