Who's the lady?
Encontramo-nos já nas ultimas 24 horas finais do mandato de presidencial de Jorge Sampaio. Aproveitando o mote a imprensa diária têm optado por força dos eventos por uma de duas posições, ou o elogio ao mandato do Estadista ou a antecipação do próximo Mandato presidencial... Escolha interessante mas sensaborona já que hoje se comemora o dia internacional da mulher.
A figura da primeira dama ou do primeiro cavalheiro (quando esse dia chegar) são meramente ornamentais, a modos como uma jarra no palácio de belém que somente devem comparecer em ocasiões protocolares e se o interesse de Estado o justificar. Entendo que se saiam uns cobres do Erário público para que a Madame ande com o cabelo bem arranjado e de traje bem aprumado. Mas de resto nem mais um euro pro ornamento.
Apontam frequentemente os detratores do sistema Monarquico o papel enobrecedor do voto, a legitimidade da escolha popular, a democracia em acção, a possibilidade, ainda que académica de de qualquer plebeu ascender à Chefia do Estado e a costumeira lenga lenga que termina sempre com o rei demente e absolutista que quer governar e cortar cabeças, como se isso fosse o mais interessante do mundo para um monarca moderno.
Embora não seja frequentador de eleições para o PR não posso deixar de questionar os seguintes aspectos:
i)vinha no boletim de voto a primeira dama, penso que no presente status quo ainda so dificultava mais a escolha?
ii)quanto custou aos contribuintes o "ornamento"?
iii)porque é que o "ornamento" têm um gabinete em Belém com o correspectivo pessoal?
iv)qual é o interesse de criar este estatuto de primeira dama?
v)porque temos de gramar com a agenda social do "ornamento" se este nem sequer foi eleito?
Não lamentamos a aspereza da palavra ornamento já que a doutrina republicana pura e dura é que trata assim a mulher do presidente, tanto quanto sabemos o Dr. Sampaio sempre se orgulhou de ser um republicano dos duros.
Terminando resta somente o veredito, a primeira dama não é mais que imitação, provavelmente mais cara do Estatuto de uma Rainha, que em muitos países (RU, Holanda etc...) é a Chefe de Estado, com a agravante de não servir para absolutamente nada já que se o PR se encontrar impedido de exercer o cargo a Primeira DAma apenas serve para levar caldinhos à cama do PR, ao invés que numa Monarquia chefia do Estado é lhe confiada em termos semelhantes ao de uma regência provisória.
Dia internacional da mulher e República não combinam já que a segunda remete a mesma para o papel de ornamento. Case study interessante seria se o PR fosse uma mulher com o seu inerente ornamento, imagine-se somente....

Bem dizido...
Se ao menos o César Peixoto fosse candidato sempre tinhamos a Figueira a ornamentar.. bem mais interessante, até podia mandar uns cartões de Natal com aquela lingerie que aparece nos cartazes...
12:05 p.m.