O Paizinho
Desde 2001 a 2006 o Estado empregou directa ou indirectamente mais 121.000 pessoas, verdade seja dita que a maioria foi para os serviços da Administração Local.
Hobbes em "Leviathan" concebeu o estado como um monstro que se impunha sobre a comunidade de cidadãos tendo como principais funções impôr a justiça e a segurança de forma a que os cidadãos pudessem viver em relativa paz social. A intervenção estatal era então vista como uma necessidade imperativa servindo o braço forte do estado para proteger os mais fracos e impor o característico "rule of law" britânico. Caricatura (é já uma tendência dos autores modernos recorrerem a este blasfemo recurso estilístico, ao mesmo tempo que se aproveita a piada enquanto está fresca), é o monstro que se impõe sobre a comunidade.
Transferindo esta imagem para o Portugal de hoje, o Estado será o "paizinho" de feições benevolentes, com a simpática " barriguinha" que cada vez mais é a imagem de marca do macho português, que qual figura paternalista ajuda os seus "filhinhos" nas agruras do dia a dia. Estas "ajudazinhas" manifestam-se de diversas formas, ou seja protegendo os caloteiros e os delinquente s com um sistema judiciário primitivo e lento, seja encontrando na sua "casinha" um lugarejo no qual dá guarida e trabalho aos seus filhos.
Nos por cá abominamos o presente status quo, pessoalmente irrata me a ideia do paizinho pois é precisamente a ideia do paizinho que permite à classe média (mediocre valores e cultura burguesa reprimida pelos idos de Abril de 1974) que legitima autênticas extorsões fiscais, manutenção de um funcionalismo público para o qual a causa pública é a manutenção de regalias e direitos adquiridos que mantém uma mentalidade estatizante e vindicante socialista da qual o único benefício que retiram é serem eles próprios mal servidos pois em Portugal como em todo o lado só recorre aos serviços públicos quem não pode recorrer ao privado....
Admitimos que a imagem é bastante crua e despojada de pormenor, carecendo de aprofundamentos vários, no entanto não deixa de ser uma boa caricatura (mais uma vez este vício estilísticos, pedem-se desculpas ao outro leitor/autor)...
Tempus fugit!
