Espaço de crítica tendencialmente destrutiva

segunda-feira, março 06, 2006

O fim do Estado do Comentador único?

Aproveitando o tema lançado em intervenção do meu ilustre colega, próximo dia 7 de Março, com o início das suas intervenções na SIC notícias abre-se um novo espaço em televisão. A partir dessa data o espaço do comentário televisivo deixará de estar confiado exclusivamente ao centrão compreendido entre o "semi-domesticado"(expressão de VPV, embora o autor prefira a"domestico") Prof Marcelo, que qual António Sala no seu livro de anedotas faz comentários pro menino e pra menina, pro pai e pra mae, pro avô e pra avó (admitimos a piada é fraca!) e o "piqueno pigmeu" com as suas notas soltas, tão soltas que mais parecem a linha oficial do Partido Socialista que são polvilhadas com interessantes diatribes que começam sempre com: Quando eu não paguei o imposto de sisa e fui desterrado pra Bruxelas falava-se destre problema....

Sem negar a simpatia com parte do estilo protagonizado pela liderança de Paulo Portas cumpre sublinhar que transformar o comentário monopólio do centrão é tornar sensaborão no mínimo. Pela primeira vez a uma direita moderna, liberal, plural não obstante um pouco revenchista (fado comum neste país) é uma oportunidade ímpar para trazer à liça temas como o papel do estado na sociedade (no qual marcelo e vitorino pouco alternam), a segurança e o desagravamento fiscal aliados ao papel de um estado primariamente regulador por oposição a um estado socialisticamente intervencionista.

De saudar a terceira via entre a Homilia marcelista e o Estado Geral de Vitorino na qual PP terá uma oportunidade que será certamente tomada como "populista" "demagógica" e certamente "direitista e quasi-fascista" mas enfim como normalmente quem faz esse género de comentários são os herdeiros culturais do PREC e da construcção da sociedade socialista que nem são para levar a sério.

Consequência do sucesso de Portas que podemos desde já antecipar será uma enorme fricção e tensão com a presente direcção do CDS, não pelo que Portas dirá certamente mas certamente pelos seus efeitos dentro do partido, especialmente tendo em conta o estado de derrelicto(termo naútico para navio que foi abandonado pela sua tripulação mas que continua a flutuar) da presente Direcção Nacional.

É dito que o fim de uma era termina com um pequeno acto, certamente o fim do domínio ideológico do centrão nos média está bem consolidado e para durar, contudo abrem-se novos horizontes, radiosos ou não, cá estaram os velhos marretas pro que der e vier...