Mais um épico luso...
Pese os olhares de muitos estarem apontados aos homens da selecção nacional, outra selecção de eleitos que levam o nome e a lusa bandeira é merecedor da nossa atenção. Escolhidos não pelos seus chorudos vencimentos ou pela suas proezas durante 90 minutos lúdicos os 120 homens da GNR e 3 membros do pessoal médico do INEM chegaram a Timor.
Não é aqui o local para discutir de facto e de direito os motivos que legitimam a nossa presença, e muito menos analisar com grande acuidade geo estratégica os motivos que motivam a situação de quase insurrecção de Timor que alias não compreendemos e que carecem de maior aprofundamento. De louvar sim a posição do Governo e o consenso nacional que o mesmo consegiu criar junto do envio de homens para tão longínquo país. De facto e para além de um sentimento de solidariedade entre as duas nações, Portugal e Timor pouco têm a ver um com o outro, salvo somente a língua e uma cultura comum, um património histórico e uma profunda , enfim coisa pouca...nada que uns aninhos de exploração petrolífera não substituam...
Não obstante o interesse nacional e simpatias lusas, a presença de um pequeno contingente de 120 homens causa embaraço e apreensão à Austrália especialmente. Desde o enfraquecimento da Indonésia que possibilitou não apenas o referendo de Timor, mas também a subsquente independência que a Austrália se impôs como a potência número um da zona. A Indonésia, embora forte, dado o turbento processo interno e convulsões políticas, bem como tensões independentistas internas está mais voltada para si mesma que para os problemas de Timor, permitindo com o seu consentimento expresso ou fruto de sua impotência que as fronteiras entre Timor e a Indonésia sejam purosas a membros desestabilizadores e de outras simpatias ideológicas. Enfim, ultrapassadas as estas básicas reflexões vamos lá ao contingente luso e suas peripécias.
Dado o desinteresse e australiano a sua posição é desde o início não cooperante, sendo por tentar por sob a sua alçada o pequeno contingente luso, que gorou nos seus intentos, felizmente leia-se, mas também por dificultar a toda a linha logística e não só a "nossa"presença. Episódio caricato o de hoje, fruto das más infraestruturas do território.
Prova disso é que não colaboraram os australianos com a chegada do voo que transportava a GNR, não auxiliando as comunicações que facilitariam a aterragem em Baucau do referido transporte aéreo. As comunicações radiofónicas foram então realizadas por intermédio de difícies expedientes repartidos entre entidades locais e portuguesas. O corajoso engenho luso lá conseguiu aterrar o referido jacto, onde no terreno esperam os veículos da unidade de missão portuguesa estacinada em Timor, a coligação heteróclita de veículos nos quais ontem vimos até um autocarro escolar colocou a unidade nacional no local de aboletamento, jargão militar para alojamento.
As saudações simpáticas do nativos da distante ilha ficam para outras calendas, de salientar contudo o bravo engenho nacional que orgulha qualquer um que tome como importante a actuação fora de portas de contingentes militares lusos e que a pátria, mesmo pobre é honrada e corajosa, envidando dos melhores esforços para defender não só seu território mas também aqueles que conosco partilham um substracto cultural e linguístico comum...
Não se comparando ao patriotismo de bola e bandeirinha a mim enche-me de orgulho e responsabilidade, que Portugal se agigante e defenda um pouco do que é a sua cultura, por mais difícil que seja. O post de hoje não é jocoso ou trauliteiro dado que o assunto é sério melhores viram, até lá uma saudaação aos valerosos militares da GNR e ao INEM!
